057.
“Ei, ei.”
“Deixa disso. Você também, ei, pare de ver tanto drama. Caramba.”
Os outros garotos rapidamente intervieram para mediar a situação entre o rapaz que ria de deboche e o que avançava pronto para desferir um soco.
No final, aquele que não conseguiu fazer o que queria bufou com o rosto vermelho de raiva, mantendo o punho fechado que não pôde desferir.
“Idiota, é porque ele gosta que age assim. Isso é ciúme. Aquele negócio de que só eu conheço as qualidades da pessoa que eu amo, ou algo do tipo…”
“O que você quer dizer com isso? Que o Ash gosta do Koi?”
Com a fala que surgiu de repente, gritos de surpresa ecoaram logo em seguida de vários lados.
“O quê?!”
“Que conversa é essa?!”
“Não, os dois são Betas e são homens.”
“É verdade, além do mais, até pouco tempo atrás o Ash estava namorando a El, a rainha da escola!”
Não havia contra-argumento mais claro do que aquele. Todos concordaram com essas palavras.
“Pois é, por mais que as coisas sejam assim, isso não faz sentido. O Koi até que é bonitinho, mas não a ponto de ele terminar com a El para namorá-lo, sem contar que os dois são homens.”
“Então o que diabos é, afinal?” Eles se entreolharam, mas nenhuma resposta surgiu.
A resposta para a pergunta havia sido dada, mas como não podiam concordar com ela, apresentaram uma refutação imediata. Ao voltarem ao ponto de partida e a mesma resposta surgir novamente, eles não desistiram e contestaram; e quando a mesma resposta veio mais uma vez para a pergunta refeita, dessa vez negaram veementemente.
Depois de repetir isso algumas vezes, eles finalmente se cansaram e desistiram.
“Vamos jantar. Sinto que vou morrer de fome.”
Com a fala de alguém, os demais concordaram.
“Tanto faz se o Ash gosta do Koi ou não, o que isso importa?”
“Não, mas mesmo assim, isso é um pouco…”
“Primeiro, vamos comer algo.”
“É isso aí. Deixe que os dois se resolvam. Eu quero um x-burguer.”
“Ei, vamos decidir lá. A gente se vê no Greenbell.”
No final, eles chegaram a um consenso de ir para o Greenbell e cada um se dirigiu ao seu próprio carro.
Foi uma conclusão que não tinha absolutamente nada a ver com o debate inicial.
***
Enquanto caminhava em direção ao estacionamento, os pensamentos de Ashley sobre o que acabara de acontecer já haviam desaparecido por completo de sua mente.
A única coisa que surgia em seus pensamentos era Koi.
Será que Koi entendeu o significado do que eu disse ontem?
Ele deve ter passado a noite inteira angustiado com isso, mas, por outro lado, isso significa que passou a noite inteira pensando em Ashley. Ao pensar que Koi passou a noite em claro por causa de dilemas sobre ele, uma doçura transbordou em sua boca de tanto amor.
Koi, Koi, Koi.
Ashley encostou-se em seu carro e checou o relógio de pulso enquanto esperava Koi chegar. Parecia que a hora em que ele deveria vir já havia passado. Será que o teste estava demorando?
Não importava. Ele podia esperar o quanto fosse necessário. Ashley olhou em uma direção. Era o caminho onde ficava o auditório onde a equipe de líderes de torcida ensaiava.
Logo, Koi viria correndo de lá com o rosto corado.
A imaginação continuou.
Ele diria primeiro que passou no teste. Eu diria parabéns e o abraçaria. O quão pequeno e adorável seria Koi, cabendo perfeitamente nos meus braços?
Um sorriso surgiu espontaneamente em seus lábios e seu coração começou a palpitar.
Então, primeiro eu diria para ele entrar no carro. Só por garantia, não posso esquecer de trancar as portas do carro. É claro que o Koi nem perceberia.
Durante todo o caminho para casa, o Koi falaria com entusiasmo sobre o teste. O quanto ficou nervoso, quais erros cometeu, mas também como conseguiu dar a volta por cima, tagarelando como um pardal.
Então, de vez em quando, eu demonstraria surpresa e admiração, acompanhando a conversa. Enquanto isso, por dentro, eu não conseguiria pensar em outra coisa a não ser no desejo de devorá-lo por inteiro.
Só de pensar em Koi, o sorriso não sumia de seu rosto.
Ele modificou imediatamente o plano que tinha de se confessar na festa de Homecoming. Ele simplesmente não conseguia esperar até lá. Ashley continuou a imaginar com um sorriso constante no rosto.
Quando você terminar de falar, minha paciência também terá se esgotado. A essa altura, o carro já deve ter chegado em casa.
Então, eu vou te levar para o jardim. Vou te tranquilizar dizendo para jantarmos juntos, vou pegar a comida que deixei preparada e, quando a noite estiver escura, os postes do jardim vão se acender.
Então, sob a luz dos postes, eu vou te perguntar. Se você já pensou na resposta para a pergunta que eu fiz.
Seu rosto vai ficar vermelho de vergonha.
Talvez você desvie o olhar sem saber o que fazer. Mas, mesmo assim, suas orelhas vão se mover inquietas.
Você nem vai conseguir pensar em esconder isso. Eu vou te dar tempo suficiente. Ou, incapaz de me conter, talvez eu segure a sua mão.
E então direi: “Eu gosto de você.”
Não como amigo, mas o sentimento de gostar como alguém do sexo oposto, e estou completamente apaixonado por você.
Também direi que o dia todo não consiguia pensar em mais nada a não ser em você.
Então, o quão sem graça você ficaria?
Mas desta vez eu não recuaria.
Ashley sussurraria que o ama até obter uma resposta, e então Koi não teria escolha a não ser se abrir no final.
Eu também gosto de você, diria ele.
“Ah…” Um suspiro trêmulo escapou espontaneamente do fundo do peito.
Fechando os olhos por um momento e jogando a cabeça para trás, Ashley respirou fundo, tentando acalmar o coração. No entanto, o coração não mostrava o menor sinal de se acalmar, e ele acabou desistindo.
Venha logo, Koi.
Foi quando ele voltou o olhar para a direção em que estava olhando antes. De repente, o som de uma notificação de celular foi ouvido.
Ashley, com um sorriso no rosto, checou a mensagem e parou abruptamente no lugar.
[ Ash, desculpe. Não vou poder ir ao ensaio hoje. ]
Ele desencostou o corpo que estava apoiado no carro e leu a mensagem lentamente, palavra por palavra, mais uma vez. O conteúdo continuava o mesmo.
[ Pode ir sem mim, desculpe. ]
Ashley, que estava imerso em uma imaginação tão doce, sentiu como se tivesse levado um balde de água fria.
Não importava quantas vezes relesse, era a mesma coisa. Aos poucos, o sorriso desapareceu de seu rosto, sendo substituído por uma sensação de perplexidade.
“O que é isso…?”
***
Após enviar a mensagem, Koi olhou por um momento para as palavras que havia escrito. No entanto, por mais que tentasse, seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas que não paravam de cair, impossibilitando-o de ler direito.
Sem escolha, ele desligou o celular sem sequer reler o conteúdo que havia escrito da forma mais breve possível.
Não tinha como saber se Ashley estava ligando de volta ou algo do tipo. Sua mente já estava cheia demais com outra coisa para conseguir pensar nisso.
“Foi por pena.”
As lágrimas voltaram a inundar seus olhos, e Koi dobrou as pernas, abraçando-as e enterrando o rosto nos joelhos enquanto chorava soluçando alto.
Ele havia saído da escola às pressas, pedalando a bicicleta sem pensar, mas acabou cometendo um erro e desviando para o acostamento.
Ele acionou os freios bruscamente, mas a bicicleta acabou rolando pela ladeira e estancando no chão. Koi, que foi arremessado junto com a bicicleta, levantou o corpo dolorido a duras penas para checar o estado dela.
No entanto, enquanto olhava ao redor, as lágrimas desabaram de vez, e ele acabou desabando no chão, chorando.
“Pense bem. O que eu fiz por você hoje e por que fiz isso?”
As palavras de Ashley ecoaram em sua mente.
“Você sabe o que isso significa?”
Koi mastigava aquelas palavras enquanto soluçava.
“Se você pensar bem, vai descobrir. Porque você já sabe a resposta.”
Certo, então era isso.
“Ugh…” Os soluços subiram novamente, e ele mordeu os lábios, mal conseguindo conter o choro pesado.
Foi por pena.
Agora ele entendia claramente. Percebeu que havia cometido um equívoco absurdo. Não havia a menor chance de Ashley gostar dele, então como ele se atreveu a ter uma ilusão daquelas?
“A resposta já está dentro de você.”
Sim, eu sei. Eu sei de tudo.
Aquela era a resposta certa, então por que eu tive uma imaginação tão absurda?
Isso é porque eu…
Eu… você…
“Gosto de você…” Koi murmurou distraidamente. Sua própria voz ecoou de forma dolorosa em seus ouvidos.
Só então ele finalmente aceitou a verdade que vinha ignorando até agora.
Gosto de você. Alguém como Connor Niles gostar de Ashley Miller. Como alguém como eu poderia?
O Ash só estava lidando comigo porque tinha pena.
“Uuugh, snif…” As lágrimas não paravam e continuavam a jorrar.
Era surpreendente como tantas lágrimas podiam existir dentro dele. Por mais que chorasse, o choro não cessava.
Por fim, ele começou a arfar e a ter espasmos, como se fosse perder o fôlego devido aos soluços intensos. Koi tentou recuperar o ar com dificuldade e jogou a cabeça para trás.
Ainda bem que não falei nada. Ele agradeceu mentalmente por ter ouvido a conversa daquele grupo. Por muito pouco não cometeu um erro genuinamente irreversível.
‘Por acaso você gosta de mim?’ E se eu tivesse dito algo assim, o quão chocado Ashley teria ficado?
As lágrimas voltaram a cair, e Koi cobriu os olhos com os dois braços, mas o choro escorria incontrolavelmente pelas pálpebras pressionadas.
Foi apenas por pena, e eu, sem semancidade nenhuma, me atrevi a…
A imagem de Ashley com uma expressão de desprezo se desenhou facilmente na mente de Koi. Ele certamente diria: “O que diabos você está falando?“.
E pensaria com desdém: “É por isso que não se deve dar corda para caras como você”.
“Uuuugh…” As lágrimas voltaram a transbordar, e ele chorou alto e copiosamente mais uma vez.
…
Naquele mesmo momento, Ashley, frustrado com o telefone desligado de Koi, dirigia pelas ruas refazendo os passos dele. Ele já havia verificado que o local onde Koi sempre deixava a bicicleta estava vazio.
Julgando que ele não poderia ter ido muito longe com aquela bicicleta velha por mais que pedalasse, Ashley saiu às pressas com sua Cayenne para as ruas, mas não conseguia encontrar sequer um vislumbre das costas de alguém parecido com Koi.
Soltando palavrões de ansiedade, ele vasculhou minuciosamente os arredores à procura de Koi.
Enquanto Koi chorava soluçando, Ashley passou direto em seu carro, sem conseguir notar que ele estava encolhido logo abaixo da ladeira.
E Ashley logo se distanciou; quando Koi finalmente subiu cambaleando a ladeira empurrando a bicicleta em cascalhos, ele já havia desaparecido.
057.
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Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
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