031.
“O quê?” Mais uma vez, Koi arregalou os olhos de surpresa.
Em sua mente, surgiu imediatamente a imagem de Ashley junto com a namorada.
O casal mais badalado da escola — o capitão do time de hóquei e a capitã do time de líderes de torcida — tinham terminado.
Bill acrescentou, enquanto se preparava para voltar para o grupo: “Como ele foi dispensado do nada, o choque deve ter sido grande. Não se preocupe tanto.”
“Sabe, Bill… Não é mesmo um resfriado, né?” Ao ver o maior prestes a ir embora e chamá-lo às pressas para parar, ele deu um sorriso amargo.
“Bem, pode até ser um resfriado. Mas para ser um resfriado tão forte a ponto de ele dizer que vai faltar vários dias seguidos, e não apenas um…”
Balançando a cabeça de um lado para o outro, Bill logo se afastou.
Deixado sozinho, Koi observou as costas dele se distanciando por um tempo antes de subir novamente na bicicleta e começar a pedalar. Submerso em pensamentos, a velocidade de sua bicicleta estava visivelmente mais lenta do que o habitual.
Uma desilusão amorosa.
Parado em frente ao caixa de uma loja de conveniência vazia onde trabalhava, Koi digeria aquela informação. Ele nunca tinha namorado. Nunca tinha tido sequer um amor unilateral e, por isso, nunca havia pensado sobre a sensação de ser rejeitado ou terminar com alguém.
Mas Ashley era diferente. As ex-namoradas de Ashley, apenas as que Koi conhecia, já somavam várias.
O lugar ao seu lado, que nunca ficava vago, parecia preenchido há um bom tempo desde que ele começou a namorar Ariel, mas parecia que aquilo também tinha chegado ao fim.
Eu tinha certeza de que os dois iriam se casar.
Casais que se conhecem no ensino médio e se casam assim que completam 20 anos são comuns.
Koi, que vagamente presumia que o mesmo aconteceria com eles, sentiu-se estranho diante daquela nova realidade. E ainda por cima, o fato de Ariel ter terminado com Ashley significava que, independentemente do que tivesse acontecido entre os dois, o choque para Ashley devia ter sido imenso.
Para chegar ao ponto de faltar vários dias aos treinos…
Lembrando-se do rosto de Ashley, que costumava sorrir como a luz do sol, Koi olhou para o celular com uma expressão séria. Ele hesitou várias vezes, mas finalmente criou coragem e apertou o botão de chamar.
Somente após ouvir o sinal de chamada é que ele se deu conta de que não sabia o que dizer e entrou em pânico, mas sua coragem já tinha se esgotado. Sem conseguir desligar e tremendo de nervoso, o sinal finalmente parou e um breve silêncio se seguiu.
“— …Alô.” Uma voz baixa e contida ecoou brevemente.
Koi, tenso com o tom de voz rouco de Ashley, abriu a boca com cautela.
“Hum… Er… Ash?” Mais uma vez, ele respondeu após uma breve pausa.
“— …Sim. O que foi?” Embora fossem apenas algumas palavras, sua voz estava carregada de exaustão.
Ao ouvir aquele tom de voz completamente abatido e rouco, Koi soltou um suspiro de pura preocupação sem perceber.
“Sabe, eu encontrei o Bill por acaso e ele me contou… Ele disse que você está muito doente. Fiquei preocupado e liguei… Parece que você não está nada bem…”
À medida que a voz de Koi ia sumindo, Ashley apenas escutava em silêncio.
Será que ele tinha desmaiado?
No instante em que seu coração falhou uma batida de susto, a voz de Ashley foi ouvida.
“— Se eu descansar, vou melhorar. Obrigado por se preocupar.“
“Ah…”
Como Koi hesitou, Ashley continuou de forma carinhosa, com uma voz bem mais suave.
“— É sério, Koi. A gente se vê depois do fim de semana.“
“Você vai para a escola?”
“— Com certeza.” Ashley soltou uma risada fraca.
Ouvir aquele som bem-humorado trouxe um imenso alívio para o coração de Koi, mas o pequeno gemido de dor que se seguiu logo depois fez seu coração apertar novamente.
Após uma pausa, Ashley falou mais uma vez: “— Não se preocupe. Então…“
Koi queria conversar um pouco mais com ele, mas era óbvio que o outro não estava em condições para isso. No fim, ele murmurou uma despedida desajeitada e desligou o telefone.
Dando mais um longo suspiro, Koi perdeu-se em pensamentos profundos.
Ashley tinha dito que morava sozinho. Pelo que Bill disse e por sua atitude, não parecia que os amigos tivessem ido visitá-lo para cuidar dele.
O que eu faço?
A imagem de Ashley, ardendo em febre, não saía de sua cabeça. Era evidente que ele havia ficado doente logo após terminar com a namorada.
No fim, ele tomou uma decisão e pegou o celular novamente. Após o aparelho chamar algumas vezes, a voz de Ashley ecoou do outro lado, assim como antes, e Koi foi direto ao ponto.
“Vou aí depois que acabar o meu turno.”
“— O quê?” Do outro lado da linha, Ashley perguntou, soando confuso.
Era uma reação incomum vinda dele, mas Koi não se importou e continuou a falar rapidamente.
“Estou preocupado demais, não consigo aguentar. Eu vou, por favor, me dê permissão.”
“— …Você está mesmo me pedindo permissão agora?” Ashley perguntou após uma breve pausa, parecendo achar a situação absurda.
“Sim.” Koi respondeu imediatamente. “Para falar a verdade, estou super nervoso agora. Mas estou muito preocupado com você. …Se por acaso você realmente não precisar de mim e preferir ficar sozinho…” Ele soltou um suspiro tenso antes de acrescentar: “Então eu aguento firme. Mesmo estando muito, muito preocupado.”
Ashley ficou em silêncio por um tempo.
Será que ele tinha ficado bravo? Koi logo começou a se sentir ansioso.
Será que passei dos limites? Fiquei empolgado demais só porque ele me tratou com um pouco de gentileza? E se o Ash estiver de saco cheio de mim? Devo pedir desculpas agora mesmo? Ou devia simplesmente desligar na cara dele?
“— …Pff.”
No momento em que sentia que seu coração ia explodir de tanta tensão, ele ouviu uma risada do outro lado da linha. Koi soltou o ar que prendia com um sobressalto. Ashley falou com uma voz que misturava riso e rendição.
“— Tudo bem, pode vir. Eu permito.”
“Ah…!”
“— Mas tem uma coisa que preciso te dizer antes.”
Ashley o interrompeu bem no momento em que Koi estava prestes a gritar de alegria sem perceber.
“— O meu rosto está um desastre completo agora. Você pode se assustar quando me ver. Venha preparado, porque está realmente pavoroso.“
Será que ele tinha chorado tanto a ponto de ficar com o rosto todo inchado?
“De jeito nenhum, isso é impossível.” Koi falou com firmeza.
“Não importa o que aconteça, o seu rosto sempre vai ser incrivelmente lindo, Ash. Tenho certeza de que você continua super bonito mesmo agora.”
“— Espero que você não mude de ideia.” Ashley, que ainda falava com um tom risonho na voz, desligou o telefone logo depois.
Koi afastou o celular do ouvido após confirmar que a chamada havia sido encerrada e esticou os dois braços para o alto. Que alívio. Parecia que o humor dele não estava tão deprimido assim.
Talvez ele estivesse se sentindo mais leve depois de chorar bastante.
Koi pensou.
Ele próprio nunca tinha passado por um término de namoro, mas decidiu que faria o seu melhor para consolar Ashley. Assim que teve essa ideia, pegou o celular às pressas e digitou um termo de busca.
[Como consolar um amigo que terminou o namoro.]
Passando os olhos rapidamente pelas várias opções que preenchiam a tela, Koi escolheu os métodos que seria capaz de realizar e anotou tudo meticulosamente.
***
Connor Niles, da Buffalo High School.
O segurança olhou fixamente para o rosto de Koi após verificar a carteirinha de estudante.
Koi chegou a pensar em dar a volta pela montanha como costumava fazer, mas achou que já que tinha recebido a permissão de Ashley, seria melhor passar pelo portão principal, mesmo que fosse um incômodo.
O segurança manteve Koi esperando enquanto pegava o telefone e apertava um botão. Com certeza estava ligando para Ashley.
Após esperar por alguns instantes, o homem informou os dados pessoais de Koi e confirmou a autorização de visita.
Enquanto o segurança desligava e o acesso não era liberado, Koi passou um tempo entediante e ansioso em cima da bicicleta.
“— …Sim, entendido.“
O segurança, que havia desligado o telefone, fez um sinal com a mão indicando que ele podia entrar. Koi pisou no pedal às pressas e disparou em velocidade máxima.
‘Espera por mim, Ash. Estou chegando!’
***
Arf. Por que diabos alguém construiria uma casa bem no topo de uma subida dessas?
Completamente exausto, Koi pensava nisso enquanto pedalava com os dentes cerrados. Ele sabia a resposta.
Era porque, graças a uma localização tão alta, era possível ter uma vista incrivelmente maravilhosa.
Não importa o quão bonita seja a vista, do que adianta se é tão difícil subir até aqui?
É claro que ele também sabia a resposta para isso. As pessoas que moravam em casas daquelas definitivamente não subiam a montanha em uma bicicleta velha e caindo aos pedaços, então para elas ‘tanto faz’.
Bem nessa hora, um carro passou voando ao seu lado.
Koi tossiu um monte por causa da fumaça do escapamento que ficou para trás, mas continuou subindo a ladeira, pedalando ruidosamente e com dificuldade. Quando a mansão finalmente surgiu em seu campo de visão, ele estava prestes a desmaiar.
“Arf, arf, *ânsia de vômito*.” O cansaço era tanto que ele sentiu náuseas.
Ofegante, Koi apoiou-se contra a parede e esperou que sua respiração se acalmasse. De repente, o céu amplo entrou em seu campo de visão. Ele ficou olhando vagamente para o céu azul sem fim, onde não havia absolutamente nada para atrapalhar a vista.
Foi quando ouviu um som distante de passos se fez presente.
Koi apurou os ouvidos em silêncio. Os passos que se aproximavam eram, sem dúvida, de Ashley.
Sempre acontecia isso quando Koi vinha àquela casa, mas não havia o menor sinal de presença de mais ninguém além daqueles passos de alguém se aproximando.
“Koi?” Ao ouvir a voz de Ashley, Koi respondeu com um som afirmativo e tentou se afastar da parede. “Espera.” De repente, Ashley o barrou.
Sem entender o motivo, Koi parou onde estava, e Ashley continuou a falar de trás da parede.
“Tenho uma coisa para te falar antes de você ver o meu rosto, então não se assuste quando me olhar.”
“Sim, eu vim preparado.” Koi prometeu com determinação.
Em sua mente, vários tipos de expressões de Ashley surgiram e desapareceram. O ponto em comum entre todas elas era um rosto vermelho de tanto chorar e pálpebras inchadas.
Mesmo assim, ele com certeza ainda deve estar lindo.
Não havia a menor dúvida em sua convicção.
031.
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Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
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