021.
O carro de Ashley chegou à escola, que era o local da prova, 15 minutos antes do horário limite estipulado.
Sentado no banco do passageiro com o rosto pálido e respirando com dificuldade, Koi só conseguiu recuperar a lucidez depois que Ashley estalou os dedos bem na frente de seus olhos.
“Chegamos.”
“Ah? Ah, sim.” Piscando os olhos tardiamente, Koi falou apressadamente. “O-Obrigado. Você realmente conseguiu chegar a tempo……”
Ao mesmo tempo em que estava impressionado, uma sensação de preocupação tomou conta de seu coração.
“Você está bem? Quero dizer, bem…”
Ele ficou receoso de que Ashley tivesse se esforçado além do limite por sua causa. Como se tivesse lido os pensamentos mais profundos de Koi, Ashley fez uma piada.
“O meu corpo? Ou o carro?”
“Os dois.”
Diante da resposta séria de Koi, Ashley deu de ombros e mostrou uma reação indiferente.
“Talvez eu acabe recebendo algumas multas de trânsito.”
“E o seu corpo? O seu resfriado ainda não deve ter passado completamente.”
Ashley esquivou-se de leve da mão de Koi, que tentava alcançar sua testa para checar a febre, e disse: “Vá entrando primeiro. Vou ficar esperando aqui por você.”
“Esperando?”
“Sim.” Ashley acrescentou com total naturalidade: “Não se preocupe comigo, vou apenas passar o tempo por aqui de um jeito adequado.”
“Sim……” Koi hesitou por um momento e desceu do carro. O celular havia ficado sob os cuidados de Ashley. “Ei, a gente se encontra aqui mais tarde?”
“Sim. Vejo você quando terminar.”
“Tudo bem.”
Após ouvir a resposta de Ashley, Koi virou-se rapidamente e correu em direção ao local da prova. Logo em seguida, o som de uma buzina ecoou atrás dele, e Ashley deu a partida no carro.
……Acho que a febre está subindo de novo.
Ao ficar sozinho, o cansaço acumulado veio com tudo de uma vez.
Parecia que o efeito do remédio havia passado. E não era para menos, já se passaram mais de 12 horas desde que ele tomou o remédio que Koi o deu. Dirigindo o carro lentamente, ele procurou por uma farmácia nas proximidades.
Preciso tomar o remédio e fechar os olhos por um momento.
Ao pensar até ali, Ashley de repente se deu conta de algo. Ele percebeu que ainda estava vestindo pijamas.
“……Haa.” Soltando um longo suspiro, ele mudou o destino do carro.
Vou voltar para casa primeiro e trocar de roupa.
Enquanto dirigia, a lista de coisas que precisava fazer foi aumentando uma a uma.
Primeiro tomar um banho, trocar de roupa, comer alguma coisa, verificar se há remédios de reserva em casa……
Quanto mais a lista crescia, mais pesado seu corpo e sua mente pareciam ficar.
Em momentos assim, seria bom se houvesse alguém ao meu lado. Não precisaria fazer nada por mim. Bastaria apenas estar ali comigo.
De repente, o rosto de Koi veio à sua mente, e ele balançou a cabeça apressadamente para afastar o pensamento. Isso é apenas porque a lembrança do Koi cuidando de mim no dia anterior ainda está fresca na memória. Não há nenhum significado especial nisso. Ele segurou firme o volante e mentalizou para si mesmo:
Com certeza.
***
Deu tudo errado.
Koi saiu do local da prova caminhando a passos lentos, com a mente completamente vazia. Ele não conseguia se lembrar de absolutamente nada do que havia visto na avaliação. Durante todo o tempo da prova, sua mente esteve preenchida apenas por pensamentos sobre Ashley.
Será que ele está bem? As bochechas dele estavam tão coradas.
A febre ainda devia estar alta, não é? Pensando bem, eu deveria ter dito para ele ir para casa descansar. Eu poderia muito bem ter voltado a pé depois que tudo terminasse.
Ah, se concentra. Agora não é hora de ficar pensando nisso. Preciso focar.
O Ashley aguentou estar doente e me trouxe até aqui, se eu estragar a prova, como vai ser? Concentre-se!
……Será que ele ainda está esperando lá fora?
Foco, Connor Niles!
…. Mas e se ele tiver desmaiado ou algo assim?
Conner Niles, foca na prova de uma vez!
Ashley, vá para casa e descanse…
Arghh, Conner Niles!
O dia de exame terminou enquanto essas duas versões de si mesmo brigavam e puxavam os cabelos uma da outra dentro de sua cabeça. Koi saiu caminhando a passos lentos, sentindo-se totalmente esgotado, como se tivesse sido reduzido a cinzas.
Do lado de fora, o lugar estava lotado de carros. Eram os pais que haviam vindo buscar os filhos que terminaram o exame. Em uma situação normal, Koi passaria direto por eles, pegaria sua bicicleta e voltaria para casa. Sozinho, como sempre fazia.
No entanto, desta vez era diferente. Koi caminhava observando as fileiras de carros estacionados, tomado por uma mistura de ansiedade e expectativa.
Será que o Ashley não está aqui?
Uma onda de desapontamento o atingia.
O corpo dele já não estava bem, é melhor mesmo que ele esteja descansando.
Então uma sensação de alívio o confortava.
Tudo bem, eu sempre estive sozinho mesmo.
Uma pontada de solidão surgia.
Se eu for para casa, o Ash vai estar me esperando?
E uma onda de felicidade o preenchia.
Seus sentimentos oscilavam constantemente, como se estivessem em uma montanha-russa. Era a primeira vez que ele experimentava uma variedade tão grande de emoções de uma só vez.
Contudo, aquela sensação estranha durou apenas um breve instante. No momento em que avistou o Cayenne familiar estacionado em meio àquela multidão de carros, o coração de Koi acelerou de uma forma que ele mal conseguia expressar em palavras.
Ah.
Toda a melancolia de ter ido mal na prova voou para bem longe. Em sua mente, restava apenas o pensamento em Ashley.
Ash, Ash, Ash.
Ele apressou o passo enquanto repetia mentalmente aquele nome.
Seus passos rápidos logo se transformaram em uma corrida. O pensamento de ver Ashley fez seu coração bater feito louco. O peito arfava de expectativa e ele não conseguia conter a ansiedade, mesmo sabendo que a distância era curta.
Ofegante, Koi finalmente alcançou o carro, mas acabou hesitando por um momento antes de abrir a porta.
E se for um carro diferente?
Tomado por uma preocupação boba, ele hesitou, mas logo aproximou o rosto da janela do carro e olhou para o interior.
Ele não estava enganado: o veículo realmente pertencia a Ashley. No entanto, o próprio Ashley estava profundamente adormecido no banco do motorista, com a cabeça apoiada no encosto do banco.
Koi permaneceu parado ali por um tempo, apenas observando-o. Uma mistura complexa de sentimentos difíceis de definir bagunçou sua mente: sentia pena, culpa, gratidão…
E também um profundo afeto.
Hum?
Foi bem nesse momento, enquanto Koi se perdia nesses pensamentos, que Ashley pareceu se sobressaltar e abriu os olhos.
Massageando a nuca com uma expressão cansada, ele soltou um suspiro e virou a cabeça. Foi quando seus olhos se cruzaram com os de Koi, que o observava do outro lado do vidro.
Por alguns instantes, os dois apenas se entreolharam em silêncio. Ashley continuou fitando Koi com um olhar vago, e levou alguns segundos para que ele finalmente recobrasse a total consciência da realidade.
“Ah.” Soltando uma breve exclamação ao se dar conta da situação, Ashley esticou o braço e abriu a porta do passageiro por dentro.
Como se estivesse apenas esperando por aquilo, Koi entrou apressadamente no veículo.
“Esperou muito tempo?” Assim que Koi se acomodou, Ashley respondeu de forma breve.
“Um pouco.” Ele agora vestia uma camisa confortável e calça jeans.
Ao notar a mudança, Koi sorriu e perguntou.
“Você foi até em casa?”
Ashley deu a partida no motor, preparando-se para deixar o local, e respondeu: “Percebi que tinha vindo de pijama.”
“Tudo bem, você continua legal de qualquer jeito.”
Diante da resposta sincera de Koi, Ashley não conteve o riso.
“Você não me ama um pouco demais, não?”
Koi sentiu as bochechas corarem, mas não tentou negar aquela afirmação.
A verdade era que Ashley sempre parecia incrível, mas mesmo vestindo apenas uma camiseta simples e jeans, ele estava extremamente charmoso.
Talvez por causa do mal-estar, o cabelo dele — que costumava estar perfeitamente alinhado com gel — agora caía de forma natural e desalinhada sobre a testa, mas Koi achava perfeito de qualquer maneira.
“Como foi a prova? Foi bem?” Ashley perguntou enquanto manobrava o carro em direção à estrada.
Koi desconversou e murmurou uma resposta vaga.
“Ah, deu pro gasto…” Ele mudou de assunto rapidamente. “Mais importante, como você está se sentindo? A febre baixou?”
“Ah, deu pro gasto.” Ashley repetiu exatamente as mesmas palavras de Koi.
A lembrança de que algo parecido já havia acontecido antes fez com que Koi soltasse uma risada.
“Por que você fica me imitando?”
“Eu?”
“Sim.”
O som do riso de Koi fez com que Ashley também sorrisse. Embora suas bochechas ainda estivessem um pouco coradas, a fisionomia dele parecia bem melhor do que no dia anterior.
Que alívio, pensou Koi.
Em pouco tempo, o carro alcançou os arredores do condomínio. Se tivesse vindo sozinho, Koi teria que esperar um bom tempo na entrada em cima de sua bicicleta até conseguir entrar em contato com Ashley para confirmar que era um visitante autorizado.
Mas como estava no carro com o próprio morador, o processo de entrada foi surpreendentemente simples e rápido.
Ao passarem direto pelas filas de carros e cruzarem o portão exclusivo para os residentes, Koi soltou uma exclamação de surpresa.
“Nossa, tão rápido assim?”
“É porque eu moro aqui.” Ashley respondeu com total indiferença enquanto continuava conduzindo o veículo.
Da última vez em que fizera aquele caminho subindo a colina, Koi estava tenso por causa do exame e não teve a oportunidade de observar os arredores com calma.
Mas agora, avançando em uma velocidade constante dentro do carro, ele olhava pela janela e admirava a paisagem repleta de mansões imponentes, cada uma com sua própria arquitetura única e grandiosa.
Algumas propriedades eram tão vastas que, comparadas às outras, faziam as casas menores parecerem quase modestas.
Mesmo assim, a maior e mais impressionante de todas continua sendo a casa onde o Ashley mora, pensou Koi.
Ao refletir sobre o fato de alguém viver sozinho em um lugar daquele tamanho, ele não pôde deixar de pensar que os pais de Ashley deviam ter um carinho e uma consideração imensos por ele para lhe dar um lugar assim.
021.
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Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
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