030.
“Contanto que você me tenha para o resto da vida, está bom, não é?”
“Hã?” Koi soltou um som de quem estava totalmente perdido.
Ashley riu novamente.
Vê-lo rir daquele jeito significava que algo muito bom com certeza havia acontecido.
Koi pensou nisso, mas logo inclinou a cabeça, confuso. O que poderia ter acontecido de tão bom enquanto ele estava na lanchonete?
Ele chegou a pensar: ‘Será que é porque do ingresso do Homecoming?’, mas logo descartou a ideia da cabeça.
Como Ashley tinha dito que iria com ele, e não com a namorada a quem os ingressos deveriam ser entregues, esse com certeza não era o motivo da felicidade.
Será que tinha acontecido algum problema com a namorada? Por isso ele quer ir comigo?
Então, qual teria sido o motivo inicial para ele vir comprar os ingressos do Homecoming? Nada disso fazia o menor sentido.
O que de fato estava acontecendo? Ele não tinha a menor ideia!
Com a mente completamente confusa, Koi acabou se rendendo.
Era impossível entender qualquer coisa que saía da boca de Ashley. No entanto, de uma coisa ele tinha certeza: não importava o que Ashley dissesse, Koi faria exatamente tudo o que ele quisesse.
“Você vai mesmo? Comigo? Ao Baile de Boas-Vindas…Q-quer dizer.., Homecoming?”
“Sim.” Disse Ashley. “Eu quero ir com você.”
Aquelas palavras o deixaram mais feliz do que qualquer outra coisa, mas havia um detalhe que o incomodava.
“Garotos também vão juntos?”
Diante da pergunta cautelosa de Koi, Ashley rebateu: “Você não quer ir comigo?”
“O quê? Não, claro que não é isso!” Koi deu um pulo, balançando os dois braços freneticamente.
Ashley riu de novo.
“Então pronto.”
“Ah… sim.” As coisas aconteceram de um jeito meio confuso, mas, de qualquer forma, a decisão parecia ter sido tomada.
Koi continuava olhando para Ashley com uma expressão aérea. Ashley também o encarava. Para ser mais exato, o olhar dele estava fixo nos lábios de Koi, que se abriram sutilmente sem que ele percebesse.
Eu queria beijá-lo.
Sentindo um impulso avassalador, ele teve que fechar o punho com força.
Aguente firme, Ashley Dominic Miller.
Ashley tentou se controlar.
Você nem se declarou ainda.
“Isso é tudo o que restou?” Ashley perguntou de repente, olhando ao redor. Koi correu apressado atrás dele, que já havia começado a andar.
“Ah, sim. Só preciso organizar essa quantidade.”
“Certo, vamos acabar logo com isso.” Disse Ashley, pegando a caixa primeiro, diante de um Koi totalmente surpreso.
“O quê?”
“Vamos terminar logo isso e ir embora, estou morrendo de fome.”
“Não, bem.., mas…” Koi ficou sem saber o que fazer, completamente sem jeito. “Esse é o meu trabalho, eu posso fazer sozinho.”
“Se fizermos juntos, acaba mais rápido. Vamos terminar logo isso e comer alguma coisa.”
Interrompendo-o como se estivesse com pressa, Ashley apontou para um espaço vazio e perguntou: “Posso colocar ali?”
“Ah, sim. Está certo…” Antes mesmo que Koi terminasse de falar, Ashley empurrou a caixa que segurava para cima da prateleira.
Aquilo que Koi teria que organizar subindo em um banquinho e fazendo um baita esforço, Ashley resolveu com extrema facilidade.
“Tem mais?” Ashley se virou rapidamente para perguntar, e Koi tentou impedi-lo mais uma vez.
“Está mesmo tudo bem, Ash. Esse é o meu trabalho, são os meus pontos de trabalho voluntário.”
“Koi, eu estou faminto.” Disse Ashley com um suspiro. “Vamos terminar logo e ir embora. Você também não jantou, não é? Aquele jantar que você trouxe não era aquilo ali?”
Ashley lançou um olhar de soslaio. Koi acompanhou o olhar dele em direção à lixeira, onde estava um saco com um pão mofado, e Ashley continuou.
“Se você não tem a intenção de tirar aquilo dali para comer, vamos terminar logo e ir embora. Se ficar muito tarde não vai sobrar nada para comer além daqueles hambúrgueres baratos.” A determinação de Ashley era inabalável.
No fim, Koi não conseguiu vencê-lo e se rendeu. Enquanto organizava os objetos restantes conforme as instruções de Koi, Ashley olhava para ele de vez em quando.
Não posso ter certeza de que os sentimentos de Koi são iguais aos meus.
Mesmo sentindo o coração disparar feito louco, ele tentou analisar a situação com a maior frieza possível. Koi já havia dito várias vezes que gostava dele. Porém, ele não podia se iludir.
Para Koi, eu posso ser apenas um amigo. Um amigo por quem ele tem um carinho absurdamente grande.
Essa era uma conclusão dolorosamente realista.
Mesmo que Koi tivesse o mesmo sentimento, ainda era uma incógnita se ele saberia diferenciar aquilo de uma amizade. Claro que pensar assim já era uma expectativa muito otimista. Não era uma conclusão agradável, mas Ashley aceitou.
Talvez eu tenha começado um amor unilateral.
***
“Muito obrigado por hoje, Ash.” Koi agradeceu sinceramente.
Ashley, que havia tirado a bicicleta velha de Koi do porta-malas e a colocado na calçada, olhou para ele e perguntou: “Tem certeza de que está tudo bem? Não quer que eu te acompanhe até em casa?”
“Sim, está tudo bem. É só virar aquela esquina.” Ashley não parecia muito convencido, mas não insistiu em levá-lo à força.
Ele sabia exatamente o momento de recuar e o momento de avançar. Agora era o momento de recuar.
“Certo, Koi. Até mais.” Assim que Ashley se despediu primeiro, Koi também acenou com a mão.
“Tchau, Ash. Vá com cuidado.” Apesar de já terem se despedido, nenhum dos dois saía do lugar.
Ashley percebeu que Koi estava esperando que ele fosse embora para só então voltar para casa.
Se fosse um encontro oficial, eu com certeza o levaria até a porta e só daria partida no carro depois de ver a luz do quarto dele se acender. Mas o tempo que passaram juntos hoje não tinha sido um encontro. Ele decidiu não ter pressa.
Ashley entrou no carro sem hesitar e deu a partida, enquanto Koi deu um passo para trás. Como esperado, Koi continuou parado no mesmo lugar até que Ashley se distanciasse bastante.
Depois de verificar pelo retrovisor que ele não estava mais visível, Ashley estacionou o carro no acostamento.
“Haaah…” Dando um longo suspiro, ele se inclinou sobre o volante, e só então a tensão acumulada começou a desaparecer.
Era a primeira vez que se sentia daquele jeito.
Ariel não era a sua primeira namorada, e ele já tinha passado por algumas idas e vindas em relacionamentos anteriores. Todos tinham sido compatíveis com ele e trazido borboletas no estômago. Os términos aconteceram em acordo comum e mesmo agora, restavam apenas boas lembranças.
No entanto, era a primeira vez que passava pela experiência de ficar com os nervos tão à flor da pele e tenso durante todo o tempo em que estava acompanhado.
Parecia que cada célula do seu corpo ganhava vida própria para registrar cada mínimo gesto e cada palavra dita por Koi. Além disso, ele teve que fazer um esforço infinito para reprimir o desejo constante de beijá-lo.
Por que Koi era tão adorável?
Ele queria saborear um pouco mais daquela felicidade que transbordava em seu peito, mas ainda tinha uma pendência a resolver.
Era algo que não podia ser adiado de jeito nenhum, por mais tardar que fosse. Ashley checou as horas, hesitou por um instante e enviou uma mensagem.
[ Pode dar uma escapada agora? Vou até a frente da sua casa. ]
Poucos segundos depois, chegou a notificação.
[ O que foi? ]
Ashley digitou de volta.
[ A gente conversa quando eu chegar. ]
A resposta veio rápida novamente.
[ Tá bom. Me avisa quando chegar. ]
Ashley guardou o celular e deu partida no carro.
Enquanto dirigia em direção à casa de Ariel, ele se esforçava deliberadamente para esvaziar a mente.
De qualquer forma, o errado da história era ele. Estava totalmente disposto a aceitar qualquer crítica ou julgamento que Ariel fizesse.
…
E, no fim, ele acabou levando três tapas na cara.
***
O céu do fim de semana estava tão radiante quanto em qualquer outro dia.
Koi aproveitou para dormir até mais tarde depois de muito tempo e, ao checar a geladeira que estava vazia como sempre, pegou a bicicleta e saiu para comprar algo para comer. Ele já tinha comprado antecipadamente os pães para passar o fim de semana, mas, como Ashley havia jogado tudo fora no dia anterior, ficou sem nada.
A intenção inicial era ir até a loja que costumava juntar e vender os pães que sobravam do dia anterior, mas, por um impulso, ele mudou de rota e seguiu em direção à escola.
Se eu for por aqui, vou ter que dar uma grande volta, mas…
Mesmo pensando de modo racional, Koi não parou.
A essa hora, o time de hóquei provavelmente estaria treinando. Embora tivesse se encontrado com Ashley até tarde na noite anterior, ele já estava com saudades.
Com o coração acelerado de expectativa, ele pedalou mais rápido.
Arf, arf.
Ofegante, ele chegou à escola e, ainda montado na bicicleta, percorreu o campus lentamente com os olhos, varrendo o campo de treinamento. Enquanto observava o time de hóquei no gelo no meio da preparação física, procurou por Ashley, mas, por mais que procurasse, não conseguiu avistar o seu físico em lugar nenhum.
“Ei, Bill!” Aproveitando uma brecha, Koi chamou rapidamente Bill assim que o viu saindo do grupo para beber água.
“Oi, Koi.”
“Oi, Bill.” Koi, que retribuiu o cumprimento enquanto Bill ainda tentava recuperar o fôlego, apressou-se em ir direto ao assunto.
“Sabe, não estou vendo o Ashley por aí. O que aconteceu? Ele não vem hoje?”
“Hã? Ah.” Bill respondeu enquanto girava a tampa da garrafa de água. “Ele disse que estava doente, então vai ficar de folga por alguns dias.”
“O Ashley está doente?” Koi perguntou assustado com a notícia inesperada.
Bill deu um longo gole na garrafa, esvaziando os 500 ml de água de uma vez só, e limpou a boca com as costas da mão antes de balançar a cabeça positivamente.
“Sim, disseram que é um resfriado.”
“De novo?” A imagem de Ashley acamado e sofrendo com um forte resfriado tempos atrás veio à sua mente.
Graças àquele resfriado, Koi tinha se aproximado mais dele, mas isso não significava que era bom ver Ashley doente.
“Está muito feio? A ponto de faltar ao treino…”
E ainda por cima por alguns dias.
Diante da pergunta cautelosa, Bill soltou uma risadinha abafada.
“Bom, pode ser que ele esteja realmente muito doente, ou pode ser que não seja bem um resfriado.”
“Hã? Como assim?”
Para um Koi totalmente confuso, Bill soltou a bomba com a maior naturalidade do mundo: “Ele terminou com a Ariel. Você não sabia?”
030.
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Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
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