044.
“Ashley, você viu aquele post?”
Assim que desceu do carro, Bill o reconheceu e logo perguntou. Ashley trancou a porta do carro e perguntou enquanto caminhava lado a lado com Bill.
“Que post?”
“Imaginei que não saberia.” Bill soltou um risinho como se já esperasse por aquilo, tirou o celular do bolso e moveu os dedos rapidamente para digitar no teclado.
Ashley, confuso, ajeitou a mochila nos ombros e seguiu caminhando. Enquanto acenava de volta para um garoto que o cumprimentava ali perto, Bill o cutucou no braço com o cotovelo.
“Ei, olha, olha, ei.”
“O que é?”
Ashley, sem conseguir vencer a insistência de Bill, pegou o celular que ele lhe estendia. Olhando para o texto que havia subido no fórum, Ashley perguntou: “De qual deles você está falando?”
“Ah, sério.” Impaciente, Bill arrancou o celular da mão dele, olhou para a tela e começou a ler em voz alta.
“Sou um estudante do ensino médio. Recentemente fiz um amigo e ele é um garoto muito legal. É sempre gentil e me trata super bem.”
Ashley achou graça da excentricidade de Bill, que lia aquilo de forma exagerada em um tom teatral. Ignorando-o ou não, Bill continuou a ler sem se importar.
“Ele é o capitão do time de hóquei no gelo e é incrivelmente bonito. É o garoto mais popular da escola, mas não é convencido.”
Até ali, ele achou que fosse apenas um relato comum. Havia muitos capitães de times de hóquei no gelo no mundo, e a maioria deles era popular, além de o fato de não ser convencido ou ser bonito ser algo extremamente subjetivo.
Sem dar muita importância, ele continuava ouvindo quando Bill aumentou o tom de voz para ler a frase seguinte.
“Além disso, ele é inteligente e faz aulas de AP de todas as matérias. Até tirou nota máxima no exame de admissão da faculdade.”
Hã?
Naquela parte, ele teve uma sensação estranha.
É claro que havia muitos estudantes que faziam matérias de AP, e o número de alunos que tiravam nota máxima no exame de admissão também era considerável.
No entanto, se todas essas características se sobrepusessem, o número cairia drasticamente. E Ashley era um daqueles que faziam parte desse número reduzido.
“Deixa eu ver um minuto.” Ashley praticamente arrancou o celular de Bill, que pretendia continuar lendo, e olhou fixamente para a tela.
Bill ficou parado sem se mover, apenas mexendo os olhos enquanto acompanhava Ashley ler as letras, sem conseguir se conter e perguntando.
“Ei, esse não é você? Não é? Certo? Eiin.” Ao lado dele, Bill não conseguia esconder sua expressão cheia de entusiasmo e o pressionava, mas Ashley apenas olhava para a tela sem dizer uma palavra.
Bill olhou para ele intrigado. Ele achou que Ashley ignoraria a história por ser algo bobo ou que riria e deixaria para lá, mas a reação dele foi totalmente diferente do esperado.
“Ashley, ei.” Bill o chamou novamente. Ashley, que até então não conseguia desviar os olhos da tela, piscou assustado e ergueu a cabeça.
Ao ver o rosto dele, Bill se assustou mais uma vez.
O rosto de Ashley estava surpreendentemente corado.
“Ei, você..”
“Tem muitos capitães de times de hóquei no gelo por aí.” Ashley o interrompeu antes que Bill pudesse falar, devolvendo o celular.
Bill, achando aquilo estranho, seguiu os passos dele apressadamente.
“Não, mas olha só. Não é só isso.” Bill continuou falando enquanto empurrava a tela em direção a ele. “Olha aqui, diz que faz matérias de AP em tudo e que é incrivelmente bonito. E super popular.”
“Existem muitos caras assim.”
“E a nota máxima no exame de admissão é igualzinha à sua? Ei, por mais que existam muitos capitães de times de hóquei no gelo e notas máximas no mundo, você acha que teria tantos caras onde tudo isso se encaixa ao mesmo tempo?” Bill acabou gritando, sentindo-se injustiçado.
Como ele próprio tinha pensado a mesma coisa, Ashley não pôde negar as palavras dele. Por isso, em vez disso, preferiu ignorar a Primeira Emenda e optou por reprimir a liberdade de expressão.
“Não fale besteiras. Você já terminou os trabalhos? Mesmo jogando como atleta de hóquei no gelo, se você não cuidar direito das suas notas, vai ser difícil entrar na faculdade.”
“Olha só para ele me jogando praga, caramba.” Bill resmungou como se estivesse de mau humor, mas logo mudou de assunto.
Enquanto caminhavam lado a lado, Ashley respondia sem dar muita atenção, mas a verdade era que nenhuma palavra entrava em seus ouvidos.
O conteúdo do post que ele havia acabado de ler continuava ecoando em sua mente.
Por algum motivo estranho, toda vez que o vejo, meu coração dispara e meu rosto esquenta.
No momento em que se lembrou da frase que mais o havia feito estremecer, ele cobriu a boca com a mão para esconder o sorriso que se abria.
Ashley percebeu na hora.
Ele soube que a pessoa que havia publicado aquele texto era o Koi. Se estivesse sozinho, teria saído correndo de uma ponta a outra do pátio dando gritos de alegria.
O Koi gosta de mim!
Mas agora ele não podia fazer isso. Se isso viesse à tona, Koi seria alvo de muitas provocações. Talvez até sofresse bullying.
O melhor a se fazer era agir o mais rápido possível para que aquilo fosse enterrado de vez. Para isso, ele teria que fingir que não sabia de nada e ignorar completamente.
Ele conteve a todo custo o impulso de correr até Koi agora mesmo para enchê-lo de beijos e gritar que também o amava.
Não posso me apressar. Ashley se acalmou e mergulhou em pensamentos.
O fato mais importante era que a certeza de que Koi gostava dele estava clara, mas o próprio Koi ainda não havia se dado conta disso. O maior reflexo disso era ele ter postado um texto em um site onde um bando de idiotas se reunia para falar bobagens.
Se ele soubesse que tipo de sentimento era aquele, jamais teria feito uma coisa dessas.
Então, o que devo fazer para o Koi perceber?
Ele entrou em um novo dilema. No entanto, se tratava de um dilema tão prazeroso que, por mais que pensasse nele, só o trazia felicidade.
“Ah.” Foi no momento em que ele fechou a boca à força para conter mais um sorriso que estava prestes a escapar.
Ele viu alguém se escondendo às pressas logo adiante. É claro que Ashley não o perdeu de vista.
“A gente se vê mais tarde.”
“Hã? Ei, Ashley!” Ao ver Ashley dar um tapinha leve em seu ombro e sair andando, Bill gritou confuso, mas Ashley já havia saído correndo para longe dali.
***
Haa, haa.
Koi estava com a respiração ofegante, encostando o corpo contra a parede. Será que ele não viu?
Ele estava internamente muito ansioso, mas não conseguia colocar a cabeça para fora para verificar.
Na noite passada, ele não conseguiu pregar o olho nem por um segundo tentando descobrir a senha daquele negócio.
Quando seu pai chegou em casa, ele se cobriu até a cabeça com o lençol e continuou batendo no teclado feito um louco na escuridão, mas, no fim, acabou falhando. O número de visualizações continuava subindo, e as respostas eram publicadas aos montes, mas ele simplesmente não tinha coragem de verificar.
O que eu faço!
Ele acabou desistindo e indo para a escola, mas sua mente estava completamente voltada para o post que havia sido publicado por engano. Toda vez que passava perto de algum aluno, ele se assustava.
Será que aquela pessoa também entra naquele site? Será que ela leu aquele texto? Talvez ela até tenha deixado um comentário.
Com esses pensamentos surgindo por conta própria, sua mente virou uma bagunça e seu peito parecia prestes a explodir de tanta ansiedade. Carregando esse sentimento de angústia, ele caminhava em direção aos armários enquanto observava os arredores com cautela.
“Hã.” No instante em que avistou a pessoa que ele menos queria ver naquele momento, Koi acabou prendendo a respiração.
Aquele físico imponente e único era impossível de não ser notado. Era justamente o Ashley.
Assim que o viu, Koi escondeu o corpo às pressas. Entrando apressadamente atrás do primeiro prédio que avistou, ele soltou uma lufada de ar e tentou acalmar o peito.
Mas isso durou apenas um instante. Ele não podia ficar fugindo dele para sempre.
Koi também sabia disso, mas, ainda assim, queria adiar aquele momento o máximo possível. Mesmo sabendo que a primeira aula que teriam juntos começaria em menos de 30 minutos.
“Haaah…” Foi no momento em que ele soltou um longo suspiro, tentando acalmar o coração acelerado.
“Peguei!”
“O-o quê?!” Diante de um som ameaçador que surgiu do nada, Koi se assustou e soltou um grito de pavor.
Hahaha, junto com o som de uma risada, Ashley o abraçou por trás.
“Ei, Ashley.” Ao se virar confuso, Ashley abriu um grande sorriso para ele.
Sem saber o que dizer e apenas balbuciando com a boca aberta, Koi ouviu Ashley falar.
“O que você está fazendo aqui? O prédio onde temos aula é do outro lado, não é?”
“É, p-pois é…” Koi forçou a mente a trabalhar rapidamente enquanto gaguejava.
Ele precisava dizer algo, mas nenhuma palavra lhe vinha à cabeça. Enquanto Koi pensava desesperadamente no que dizer e em como falar, Ashley continuou com o rosto sorridente de sempre.
“Não me diga que você estava fugindo de mim?”
“Não, não, não, de jeito nenhum! Claro que não, por que eu faria isso?!” Sem perceber que uma reação tão exagerada era, na verdade, uma forte confirmação, Koi balançou a cabeça vigorosamente.
Ao vê-lo agir assim, Ashley estreitou os olhos.
“Koi, você se lembra do que eu te disse?”
“Hã? O quê?” Quando Koi parou de balançar a cabeça e olhou para cima, Ashley sussurrou.
“Que você nunca vai conseguir fugir de mim.” Ao ouvir aquelas palavras, Koi, sem notar, prendeu a respiração e o encarou nos olhos.
Ashley acrescentou em um tom extremamente doce: “Eu disse que nunca vou deixar você escapar.”
“Ah, s-sim.” Koi gaguejou, sentindo-se tonto.
O braço forte de Ashley, que o envolvia firmemente, não saía de sua cabeça. O corpo de Ashley encostado em suas costas e a respiração quente que sentia em seu rosto pareciam quentes demais.
Estou com medo.
Seu coração começou a bater tão forte e sua respiração ficou tão curta que sua mente começou a nublar.
Diante de uma mistura de uma agitação intensa com um nervosismo crescente, ele chegou a sentir medo.
Por quê?
Koi pensou enquanto olhava fixamente para o rosto de Ashley sem conseguir raciocinar direito.
Sempre que vejo o Ashley, eu fico assim.
Naquele mesmo instante, o post que ele havia publicado no dia anterior lhe veio à mente, e sua consciência despertou de sobressalto.
“Es-espera, espera um pouco!” Koi gritou apressadamente e começou a debater os dois braços.
Do ponto de vista de Ashley, aquilo não passava de um esperneio insignificante, mas, ao vê-lo se esforçar ao máximo para escapar de seus braços, ele não teve escolha a não ser soltá-lo.
Por outro lado, ele sentiu uma pontada de irritação e o impulso de abraçá-lo ainda mais forte para que ele não pudesse se mover.
No entanto, a escolha final de Ashley foi ceder ao desejo de Koi.
Assim que ele relaxou levemente a força dos braços, Koi se afastou dele num pulo. Vendo-o se distanciar três passos inteiros quando apenas um teria sido suficiente, Ashley sentiu seu humor azedar.
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Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
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