014.
“Ashley?”
Quando Koi murmurou baixinho, Ashley também sussurrou com a voz um pouco rouca.
“……Oi, Koi.”
Em seguida, ele soltou um pigarro, “humm”. Koi o observou se virar e começar a olhar em direção aos salgadinhos. Ele não conseguia acreditar naquela situação repentina.
Era a primeira vez que o via desde o início das férias. Seu coração de repente disparou.
Koi não tirou os olhos de Ashley nem por um segundo até ele escolher os produtos e ir em direção ao balcão. Depois de colocar algumas mercadorias sobre o balcão, Ashley finalmente abriu a boca.
“É Dia da Independência, você não vai descansar?”
“Ah? É.” Koi respondeu com pressa enquanto passava os produtos no código de barras. “Na minha casa, a gente não costuma se reunir para comer em dias assim.”
“……Entendi.” Ashley deixou a resposta soar de forma meio vaga.
Koi pegou uma sacola plástica e colocou os salgadinhos dentro.
“E você? Seus pais não vieram?”
Diante da pergunta de Koi, Ashley tirou o cartão e o entregou.
“Na minha casa, a gente não costuma se reunir para comer em dias assim.”
Como ele repetiu exatamente as mesmas palavras que Koi havia dito, Koi soltou uma risadinha com um: “pff”. Para Ashley, que havia paralisado, Koi disse sorrindo: “Nós temos então algo em comum.”
Ashley olhou para ele de cima sem dizer nada. Não era como se ele estivesse brincando; na verdade, parecia mais uma ironia.
Não estava claro se a ironia era consigo mesmo ou com Koi.
No entanto, o moreno olhou para Ashley com um sorriso radiante e olhos que continuavam brilhando. Era uma reação de quem estava genuinamente feliz, sem saber direito como reagir.
Sentindo-se um pouco desconfortável com aquela expressão, Ashley pegou o cartão, pegou a sacola e virou as costas.
“Ah, Ash, espera um pouco! Espera aí!”
Quando ele estava prestes a entrar no carro estacionado, Koi veio correndo para fora da loja e gritou. Assim que Ashley parou, Koi se aproximou correndo apressado e estendeu algo em sua direção.
“Isso aqui.”
“……O que é isso?”
Em vez de pegar o que Koi estava estendendo, ele perguntou, e Koi respondeu todo animado.
“É um brinde que estão dando por causa do Dia da Independência, fica para você.”
Como ele insistiu dizendo “vai, pega”, e Ashley não teve escolha a não ser aceitar.
Enquanto ele olhava em silêncio para aquele boneco rosa de aparência esquisita, Koi perguntou com a voz ainda mais animada: “É fofo, né?”
“……” Ashley olhou para o rosto dele por um momento e depois voltou a olhar para o boneco.
Por mais que olhasse de diversas formas, aquilo era um boneco muito feio. Além disso, tinha uma expressão meio rabugenta. Como alguém poderia cobrar dinheiro por algo assim? Só servia para ser dado de graça mesmo.
No entanto, Ashley não teve coragem de ser sincero. A expressão de Koi ao olhar para ele era tão, mas tão…
Parecia feliz.
“Pff.” Ao ver aquele rosto, um sorriso escapou dele sem que percebesse.
Ao ver Ashley começar a rir, Koi piscou os olhos confuso. Mesmo assim, suas bochechas continuavam coradas, seus olhos brilhavam e sua boca exibia um sorriso de orelha a orelha.
“É, é fofo.” Depois de dizer isso, Ashley se assustou consigo mesmo.
Felizmente, não foi necessário consertar o que disse. Koi abriu um sorriso tão radiante que seus olhos quase se fecharam, e falou primeiro:
“Não é? Muito fofo, né? Na verdade, como é uma edição limitada, já tinha acabado tudo. Mas um cliente disse que não queria, então eu escondi para ficar para mim, mas…”
“O quê? Então está tudo bem, não precisa me dar.”
“Não, não.” Koi gesticulou com as duas mãos e empurrou o boneco que Ashley tentava devolver. “Eu quero dar para você. Fica com ele.”
“Sério?” Diante da insistência de Koi, Ashley não conseguiu recusar mais. “……Está bem, obrigado.”
Quando ele aceitou o boneco relutantemente, Koi sorriu radiante de novo.
Foi nesse momento que Ashley viu: as duas orelhas de Koi se moveram levemente, tremulando de um lado para o outro.
“……Ah.” Ele por pouco não tocou naquelas orelhas.
Ashley, que já estava com a mão no meio do caminho, recobrou a lucidez um pouco tarde e a abaixou rapidamente. Antes que Koi percebesse, ele tratou de falar logo.
“Bom, então eu já vou indo.”
“Tudo bem, tchau. Vá com cuidado. Tenha um feliz Dia da Independência!”
Koi se despediu com um sorriso radiante e acenou com a mão. Mesmo quando Ashley entrou no carro e deu a partida, Koi continuou parado no mesmo lugar, acenando.
O Cayenne de Ashley fez uma curva suave e saiu do estacionamento. Ao conferir pelo retrovisor que a figura de Koi já não podia mais ser vista, Ashley olhou de soslaio para o banco do passageiro. Ali estava deitado o boneco feio que Koi havia lhe dado.
“O que deu na cabeça dele para achar isso fofo?” Ashley murmurou sozinho.
Mesmo achando aquilo um absurdo, por algum motivo ele estava sorrindo.
***
“Ashley!”
Mal deu tempo de vê-la e sua namorada já se jogou em seus braços, Ashley a abraçou com naturalidade. Fazia uns dez dias que eles não se viam. Só depois de trocarem vários beijos é que Ariel finalmente falou.
“Você não sabe o quanto eu senti sua falta. Ontem eu nem consegui dormir direito. Sabe, o meu pai…” Ashley ouviu com um ouvido e soltou pelo outro as reclamações familiares que ela desandou a falar.
Esse tipo de manha era o mesmo que os caras do time de hóquei costumavam fazer. Ashley sabia muito bem que, no fundo, aquele resmungo vinha do afeto que ela tinha pela família.
Na verdade, ele próprio não tinha o que falar sobre seus pais e também não guardava ressentimentos.
Claro, materialmente falando, seus pais lhe davam de tudo. Por ter tudo o que queria, alguém poderia até achar que ter reclamações seria ingratidão da parte dele.
Ashley também não tinha queixas contra eles, mas isso não significava que guardasse um afeto especial. Por isso, quando via seus amigos reclamando dos pais daquela forma, ele sentia uma ponta de estranheza.
Desta vez não foi diferente. Na fala de Ariel, que expunha o quanto seu pai era antiquado, o amor por ele estava escancarado.
“Nossa, o que é isso?” Ariel exclamou ao voltar para o banco do passageiro e se preparar para sentar.
Ashley, que ia se acomodar no banco do motorista, parou. Nesse meio-tempo, Ariel já havia se sentado, pegado o boneco que estava ali e começado a examiná-lo de todos os lados.
“Onde você conseguiu uma coisa dessas? Nossa, que bicho feio.” Ariel soltou uma risadinha e jogou o boneco de qualquer jeito.
Ashley, que seguiu o objeto com o olhar sem querer, encarou o boneco arremessado no banco de trás. Sem que Ariel notasse nada de sua reação, ela afivelou o cinto de segurança e perguntou: “Aonde nós vamos hoje? A sua casa também é uma boa.”
“Pode ser.”
Ashley respondeu prontamente e deu partida no carro. Ariel, que colocou a cabeça para fora da janela aberta, comemorou alto ao sentir o vento. Ashley brincou com ela e riu como sempre fazia.
Tudo continuava exatamente igual a antes.
“Uau!” Ao descer do carro, Ariel gritou animada e correu direto em direção à piscina.
Ashley, que saiu logo em seguida do banco do motorista para ir atrás dela, parou de repente.
Seu olhar caiu sobre o boneco feio que havia ficado caído na parte de trás do carro.
Ele observou o objeto por um instante, abriu a porta do carro, acomodou o boneco direitinho no banco e prendeu o cinto de segurança nele.
Ao ver o boneco desajeitado bem acomodado ali, seu coração pareceu ficar mais leve por algum motivo e ele seguiu em frente, cantarolando uma melodia sem perceber.
***
“Isso aí!” Gritando de entusiasmo, Bill pulou.
Ele fez a água espirrar para todos os lados, provocando gritos e reclamações ao redor. Soltando o ar e emergindo na superfície, Bill recuperou o fôlego e balançou a cabeça freneticamente para afastar a água do rosto.
“Para com isso, seu louco!”
“Ai! Eu mandei parar!”
Gritos misturados com risadas ecoaram ao redor. Sua namorada, que estava deitada em uma espreguiçadeira pegando sol, estendeu a bebida que estava tomando para ele, e Bill a aceitou de bom grado, dando um longo gole.
“Ah, que delícia.”
Soltando um suspiro de satisfação, ele virou a cabeça e nadou em direção ao dono daquela mansão, que estava estirado em uma cadeira de praia.
“Ash, você não vai entrar?”
“Para mim está bom assim.” Ashley, que continuou deitado, apenas levantou uma das mãos em um sinal de recusa.
A mansão estava uma verdadeira agitação. Antes do fim das férias, os rapazes do time de hóquei e suas respectivas namoradas haviam se reunido para curtir.
A mansão, onde Ashley morava sozinho, sem os pais, era incrivelmente grande e contava com piscina e quadra de tênis, além de uma geladeira sempre lotada de comida e bebida — o lugar perfeito para passar o feriado.
“Ah, e assim as férias vão chegando ao fim.” Outro rapaz, sentado na espreguiçadeira ao lado de Ashley, lamentou.
Logo, o assunto mudou para o exame de admissão da faculdade.
A maioria deles já havia feito o exame antes das férias e a intenção era liquidar o assunto o quanto antes, de preferência antes de entrarem no 12º ano. Afinal, quando chegassem ao último ano, o ritmo do vestibular começaria de verdade e eles não teriam tempo de sobra para respirar.
“Esta vai ser a nossa última temporada.”
Diante do comentário de alguém, Ashley concordou, pensando o mesmo. Bill levantou a lata de Root Beer que estava bebendo e disparou: “Pela vitória dos Buffalo!”
014.
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Lick Me Up If You Can
Connor Niles sempre esteve sozinho. Corredores silenciosos e intervalos vazios para o almoço são seus companheiros habituais. As notas importam para ele; são sua saída.
Ashley Miller...
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