074.
“Cassian, Cassian?” Ao som do chamado, ele recuperou os sentidos e ergueu a cabeça.
Eina o observava com uma expressão intrigada. Diante da reação confusa de Cassian, ela soltou um riso sem jeito.
“O que foi? Parece que você está pensando em outra coisa o tempo todo.”
“Eu estava ouvindo.” Essa resposta foi rápida demais. Como esperado, Eina franziu a testa. Cassian limpou a garganta e mudou de assunto com habilidade. “Então, já tem alguém dizendo que vai investir agora?”
“Ah, bem…”
Como previsto, ela não conseguiu responder com facilidade. Eu já imaginava, pensou ele enquanto olhava para a amiga, que disse com um sorriso sem graça: “Ah, bem, há muitas pessoas interessadas… Que tal você se encontrar com ele pessoalmente e ouvir a proposta? Assim você também passará a confiar.”
O motivo para Eina ser tão persistente era óbvio. Se corresse a notícia de que o “Conde Helinger investiu”, seria muito mais fácil atrair o interesse e o capital de outras pessoas.
O problema era que Cassian não sentia o menor interesse naquele negócio.
“Eina, sinto muito, mas essa história sobre um navio de tesouro naufragado não me parece muito confiável.”
Diante da recusa fria, Eina o segurou apressadamente.
“Cassian, não seja assim… Tente se encontrar com ele, eu te peço.”
“Sinto muito, Eina.” O alarme ainda não havia tocado, mas aquilo já era o suficiente. Cassian se virou para sair. “A gente se vê.”
Por algum motivo, ele começou a se sentir ansioso. Provavelmente era por ter deixado aquele “amendoim” encrenqueiro sozinho. É melhor eu voltar logo, pensou ele, quando:
“Espere, Cassian! Só um minuto!”
Eina segurou o braço de Cassian às pressas.
***
“Hic. *soluço*”
Os ombros de Bliss sacudiram novamente. Ele cobriu a boca com a mão e prendeu a respiração às pressas, mas o efeito foi oposto. O álcool que circulava em seu corpo começou a correr a toda velocidade.
“Uau, hickk!.*soluço*”
Sem fôlego, no momento em que inspirou o oxigênio, o soluço voltou. Bliss ficou parado no lugar, olhando ao redor. Não tem algum lugar onde eu possa descansar?
“Ah, me desculpe.” No momento em que tentava sair dali, acabou esbarrando em um homem que estava por perto. Ele se desculpou por reflexo e, ao erguer a cabeça, viu um grupo de homens o encarando.
“Ah, não, está tudo bem. Você veio sozinho?” Um deles puxou conversa com um sorriso.
Bliss sentiu um cheiro suave. Será que é um feromônio?, pensou instintivamente. O aroma dos feromônios de um Alfa Dominante é diferente do de um Alfa comum. No caso dos Dominantes, o cheiro é tão intensamente doce que entorpece a mente, enquanto o dos Alfas comuns é muito mais fraco e suave.
Talvez o fato de Bliss achar o cheiro deles fraco fosse por estar acostumado ao feromônio de Alfas Dominantes por causa de sua família.
Enquanto ele permanecia parado, piscando os olhos atordoados pela embriaguez, outro rapaz falou: “Se veio sozinho, quer se divertir com a gente? Por acaso também estávamos entediados agora.”
“Ah, espere. Esse cara parece ser o parceiro do Cassian.”
De repente, um deles se intrometeu. Com isso, o grupo que estava reunido olhou para ele e depois voltou a atenção para Bliss simultaneamente.
“É sério? O acompanhante do Cassian?”
Antes que o rapaz pudesse responder à pergunta, o homem que havia falado primeiro assentiu e continuou: “Ele veio com o Cassian. Eu vi ele cumprimentando o Barão Tamman agora pouco.”
“Ah, sério…?”
Com isso, o interesse de todos esfriou subitamente. Com olhares indiferentes, os rapazes que se encaravam logo perderam o interesse em Bliss e viraram as costas como antes. Vendo Bliss ainda parado ali, confuso, um deles comentou: “Mas por que está sozinho? Onde está o Cassian?”
Diante da pergunta repentina, Bliss hesitou e mordeu o lábio inferior.
Ao lembrar do que aconteceu antes, a raiva subiu novamente. Ao verem a reação dele, bufando e sacudindo os ombros, os homens estranharam e desviaram o olhar um por um.
“Aquele desgraçado me deixou sozinho e saiu com uma mulher.”
“O quê?”
“O Cassian?”
Com essas palavras, a atenção de todos voltou-se para Bliss novamente. Os homens, interessados na fofoca, começaram a falar todos ao mesmo tempo.
“Sair com uma mulher? Com quem?”
“Como vocês vieram juntos? Qual é a sua relação com aquele cara?”
“Ei, falem um de cada vez. O copo dele está vazio, não está? Tragam algo para ele beber.”
“Ei, você aí. Isso, você mesmo.”
Um deles ergueu a mão e chamou um funcionário que passava. O homem pegou uma taça de champanhe da bandeja e a estendeu para Bliss.
“Aqui, beba. Vamos fazer um brinde.”
“Um brinde?” Quando Bliss inclinou a cabeça, confuso, outro homem disse rindo.
“Para celebrar o fato de termos nos conhecido assim.”
Ah, entendi. Assim que Bliss se deu por convencido, o homem olhou para os companheiros.
“Certo, todos juntos. Qual é o seu nome mesmo?”
“É Bli… Blair.”
Bliss corrigiu o nome apressadamente. O homem assentiu e gritou: “Certo, um brinde ao Bliblair!”
Que bando de idiotas.
Sem perceber que a expressão de Bliss estava ficando sombria, eles esvaziaram seus copos de uma vez.
“Mas me diga uma coisa.”
Um homem segurando o copo vazio abriu a boca enquanto encarava Bliss.
“Qual é exatamente a sua relação com aquele cara?”
O que eu deveria dizer? Bliss forçou o cérebro a pensar rápido. Talvez por ter trabalhado demais antes, suas células cerebrais pareciam exaustas e nada lhe vinha à mente com facilidade.
“Bom, veja bem, é que…”
Enquanto Bliss pensava e repensava sem conseguir uma ideia adequada, um dos sujeitos deu uma risadinha e disse: “Não me diga que você é tipo… realmente o parceiro dele, ou algo assim, né?”
“Hein?”
O que ele quis dizer com aquilo? Enquanto Bliss piscava novamente sem entender, outro cara falou: “Isso seria impossível. Aquele Cassian… ele é impotente.”
O quê?
Bliss arregalou os olhos, totalmente atônito. Ignorando a reação de choque dele, os outros continuaram a fofocar.
“Pois é. Aquele cara nunca fez nada com mulher nenhuma.”
“Não foi por causa da Eina? A última que ele namorou foi a Eina, não foi?”
“Acho que não. Ele não saiu com mais ninguém depois dela por um tempo?”
“Quem sabe? Já faz o quê, quase 10 anos? Ou mais? O fato é que ele está sem mulher há muito tempo.”
“Dez anos? Isso é loucura. Se for esse o tempo todo, a coisa dele já deve ter até apodrecido.”
“Quem vai saber se apodreceu ou não? Quem teria coragem de conferir se as partes de baixo do Conde Helinger estão funcionando?”
“De qualquer forma, se ele não funciona mais, a linhagem do Ducado acaba aqui.”
“Por isso é que eu estou por aí espalhando minha semente com afinco. Pela família, entende?”
Com esse comentário, os outros caíram na gargalhada. Bliss franziu o nariz diante daquela atmosfera desagradável, mas alguém continuou: “Aquele metido a besta… eu sempre quis dar uma lição nele.”
“E por que não daria? Jeito é o que não falta.”
“Certo. Podemos convidá-lo para uma caçada, por exemplo.”
“Bom, às vezes as pessoas se confundem e atiram no que não deviam, achando que é a caça.”
Mais risadas explodiram. Eles pareciam achar que estavam fazendo piadas, mas Bliss não achou a menor graça. Um deles, enquanto bebia, declarou: “De qualquer forma, esperem para ver. Eu vou fazer questão de humilhar aquele cara.”
Hã?
De repente, a audição de Bliss ficou aguçada. Enquanto ele o encarava, o homem declarou com um sorriso presunçoso: “Eu vou, sem falta, fazer Cassian Strickland cair de joelhos. Vou fazer ele implorar perdão para mim.”
Aquele sujeito?
Naquele instante, faíscas saltaram dos olhos de Bliss.
O que diabos ele está falando?
Ele sentiu o álcool subir de uma vez para a cabeça. Aquele homem estava pensando em algo que jamais deveria ser permitido. A pessoa para quem Cassian deveria se ajoelhar e implorar era Bliss, e não um “ovo de sapo” qualquer como aquele.
O que? Implorar de joelhos para você?
Como esse desgraçado desses ousa não conhecer o seu próprio lugar…!
Foi exatamente nesse momento que o violinista da orquestra que tocava a música entrou em seu campo de visão.
***
O que é isso?
Quando Cassian franziu o cenho, Eina, que segurava seu braço, perguntou com um sorriso forçado: “Escuta, você não poderia apenas me emprestar o seu nome? Eu só diria que o Conde Helinger mostrou interesse. Por favor, me ajude só com isso, sim?”
Cassian olhou para a amiga com um sentimento complexo. Se o Conde Rayrock visse sua filha caçula querida se humilhando dessa forma, implorando por investimento para lá e para baixo, ele teria um ataque e desmaiaria. Além disso, Cassian não queria mais perder tempo.
“Acorda, Eina.” Ele disparou as palavras friamente para a amiga. “Aquele cara é um vigarista. Pare de fazer essas bobagens e encare a realidade.”
“O quê…?” As bochechas de Eina ficaram vermelhas de vergonha.
Naquele momento, o alarme tocou. Cassian desligou o alarme do relógio e desviou o olhar do rosto dela, que estava contorcido em uma mistura de humilhação e fúria. Agora ele realmente precisava ir. Não podia deixar Bliss sozinho por mais tempo. No momento em que pensou isso…
“Aaaaaah!”
Com um barulho de algo se espatifando, um grito veio de dentro do salão onde a festa acontecia.
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Deflower Me If You Can
Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...