Capítulo 03
Três homens e uma mulher saíram dos motores de alta velocidade. Os homens pareciam estar se preparando para estrear como banda, cabelos tingidos de vermelho, amarelo e verde como semáforos. A mulher estava vestida igual à menina delinquente, vestindo jaqueta e sutiã. Talvez o estilo fosse popular entre os delinquentes da cidade.
Todos eles surgiram do nada; no entanto, em fila nos fundos do bar clandestino, nenhum deles se atreveu a dizer uma palavra.
Depois de alguma deliberação, a ‘banda do semáforo’ enviou a mulher para falar em seu nome. Ela era o tipo de pessoa que conseguia suportar o frio intenso por uma questão de moda, mas quando se deparou com o olhar gelado do homem parado na porta dos fundos, ela foi superada. Tremendo, ela falou hesitante.
“Aquele cara estava usando um dispositivo de blindagem estranho, perdemos o alvo…”
O homem olhou para ela em silêncio, fazendo-a espirrar com tanta força que seus pulmões quase saíram do peito. O menino, que finalmente se acalmou há pouco, se assustou com o espirro forte e prontamente voltou a chorar ruidosamente de seu lugar no chão. No entanto, um olhar do homem que segurava o cigarro foi suficiente para assustar o menino e o deixar em um silêncio trêmulo.
“Chame a polícia. Pare de ficar aqui me envergonhando, entre.” O homem segurou em um braço o menino cujo choro ele havia parado com um simples contato visual, olhou para a garota desgrenhada no canto e falou.
“Você também.”
O grupo de cavaleiros o seguiu um por um como se tivessem sido perdoados após cometerem um crime. A garota se levantou e hesitou por um momento, mas o calor do bar clandestino rapidamente a convenceu. Ela tocou o ferimento nas costas da mão, arrastando a bagagem consigo.
A atmosfera no bar clandestino era bastante retrô, de modo que até a decadência parecia deliberada. O cheiro doce de rum encheu o ar e a música jazz aliviou o clima da sala. O bar clandestino parecia estar fechado no momento, pois não havia garçons ou bartenders. O único ali era o homem que abriu a porta dos fundos, provavelmente o proprietário.
Ele é muito arrogante para o dono de um bar tão pequeno… Pensou a garota, insegura. Ela pensou ter visto algo se movendo na prateleira ao lado da mesa, mas descartou isso como um truque de luz, até que seu olhar encontrou um olhar frio. Ela pulou alarmada. Na prateleira estava um lagarto verde escuro.
“Não se preocupe, essa coisa tem preguiça de morder alguém.” O dono colocou o menino em um banquinho do bar em frente à garota. “O que você quer beber?”
A garota respondeu: “Cerveja.”
O dono olhou para ela: “Quantos anos você tem?”
Agora que ele estava sob a luz, a garota podia ver seu rosto corretamente. Embora os contornos de seu rosto fossem profundos, ela sabia que ele tinha sangue asiático. Ele ainda tinha alguma barba por fazer no queixo. Suas mangas estavam arregaçadas até os cotovelos e sua camisa estava desabotoada, revelando um peito sólido e abdômen esculpido. Ele percebeu que a garota estava olhando para ele e casualmente fechou alguns botões. Escondida sob sua camisa havia uma cicatriz velha e grossa ao longo de seu pescoço, estendendo-se desde o pomo de adão até o ombro, fazendo-o parecer ainda mais perigoso. Ele semicerrou os olhos através da fumaça do cigarro. Pode-se dizer que ele era totalmente descuidado com sua aparência, mas apesar de sua aparência desleixada e de urso, seus olhos cinza-escuros lhe conferiam uma presença digna. Aqueles olhos eram incomuns, evocando um desfiladeiro denso e enevoado, isolado e melancólico.
Os olhos da garota encontraram os dele e ela instintivamente desviou o olhar.
Ela respondeu claramente: “Cinquenta.”
O homem olhou para a garota: “Não seja estúpida.”
Ela era uma pequena delinquente com quem ninguém se importava e que nunca temeu nada nem ninguém, mas por algum motivo que ela não conseguia explicar, ela não conseguia nem discutir com o dono daquele pequeno bar clandestino. Aqueles olhos escuros a deixavam nervosa – não o tipo de nervosismo que as mulheres sentiam quando conheciam homens bonitos, mas aquele tipo de nervosismo que as crianças travessas sentiam quando eram flagradas pelos professores ou os novatos tardios sentiam quando olhavam para o chefe.
Ela abaixou a cabeça e deu outra resposta: “Vinte e cinco.”
Antes que ela pudesse perceber o que estava acontecendo, uma luz branca passou por ela. Ela se esforçou para cobrir o rosto com as mãos: “O que você está fazendo?!”
Um terminal pessoal apareceu acima do pulso do homem, depois um arquivo de identificação flutuou no ar. Ele soltou duas baforadas de fumaça pelo nariz, ergueu uma sobrancelha e leu o nome da garota: “…Huang Jingshu?”
A garota ficou agitada: “Quem você pensa que é, verificando minha identidade sem autorização?”
O proprietário não deu a mínima. Ele apenas sorriu. “Jingshu, hein? Belo nome, igual ao da esposa do Secretário-Geral da Aliança.”
Dizer ‘ esposa do Secretário-Geral da Aliança’ era como dizer “Os cientistas batizaram um buraco negro com o nome do intestino delgado de Pixiu” para a garota – nunca tinha ouvido falar disso, totalmente irrelevante para ela.
Ainda assim, ela sabia que não era qualquer um que poderia facilmente verificar a identidade de outra pessoa. Ela lançou ao homem um olhar cauteloso: “Você é policial*?”
O proprietário ignorou a grosseria dela: “Nascida em agosto de 259. Apenas uma pirralha de dezesseis anos, hein?”
A garota ficou cada vez mais furiosa.
Ele apagou as informações exibidas no terminal pessoal. Uma mão robótica pertencente a ele tirou uma garrafa de leite e serviu dois copos, colocando-os diante de Huang Jingshu e do menino à sua frente, e então acariciou o lagarto de uma forma surpreendentemente humana. Infelizmente, o lagarto tinha sangue frio, por isso não gostava da mão metálica. O Sr. Lagarto recuou e saiu lentamente.
“O que uma menor como você faz metendo o nariz nos negócios dos outros?” O proprietário perguntou: “Ficar por aí tarde da noite com a maquiagem bagunçada pra caramba. Onde estão seus pais? Eles abandonaram você?”
“Qual é o maldito problema de ter dezesseis anos? Cuide da sua vida! Eu sou um Buraco Negro.” Ela bateu na mesa, “Cale a boca e me dê uma cerveja! Eu pago por isso, ok?!”
Todos na sala olharam para a garota. Até a música parou por um segundo quando ela terminou as palavras, como se sentisse a mudança de humor. O o ruivo da banda do semáforo engasgou com a cerveja, enquanto o verde enxugava o rosto com a manga: “Você disse que é o quê?”
Era de conhecimento geral que o governo da Oitava Galáxia valia tanto quanto uma lancheira descartável. Por analogia, o governo de cada planeta aqui nem sequer equivalia a desperdício de papel. As delegacias eram apenas marcos que ninguém levava a sério. No entanto, na ausência de um governo real, alguém tinha que estar no comando, então os gangsteres assumiram o controle de todas as regiões que pudessem. Esses gangsteres formaram um governo invisível em todos os planetas.
O ‘governo invisível’ de Pequim β era conhecido como ‘Buraco Negro’.
Sua renda financeira vinha de taxas de proteção e ocasionais assassinatos e incêndios criminosos. O misterioso líder do Buraco Negro se chamava Lin. Não ficou claro se seu nome era ‘Lin’ ou ‘Lynn’, mas ele se chamava Si ge (NT: Quarto Irmão) de qualquer forma. Quando surgiu o tema de sua origem, cada um teve sua própria teoria. Alguns diziam que ele era um homem procurado e outros diziam que era um pirata interestelar.
Em apenas alguns anos, Lin se tornou famoso dentro do Buraco Negro, tendo ascendido à posição de confidente do líder anterior e, posteriormente, tornando-se o próprio líder do grupo. Como Si ge subiu ao topo da cadeia alimentar? As pessoas contavam histórias, é claro. Contos cheios de intrigas e coragem; ninguém sabia se eram verdadeiras ou não, mas mesmo assim, essas histórias eram infinitamente populares entre pessoas de todas as idades e estilos de vida em toda a Oitava Galáxia. Todo jovem delinquente queria ser o próximo Si ge. Eles sonhavam com o Buraco Negro como as crianças da Primeira Galáxia sonhavam com a Faculdade Orquídea Negra.
A jovem Jingshu se gabou: “Uma Buraco Negro. Você está em Pequim β, como pode não ter ouvido falar do Buraco Negro?”
A motociclista não pôde deixar de rir: “Si ge é tão pobre assim?”
A garota franziu a testa e estava prestes a responder; porém, antes que ela pudesse dizer uma palavra, o homem esfregou as mãos e deu uma ordem à mão do robô: “Ligue para Lu Bixing.”
A mão robótica fez um gesto de “OK”, falando em voz baixa: “Ligando para o Diretor Lu.”
A garota ficou chocada: “Como…”
“Como eu poderia conhecer sua escola?” O proprietário então respondeu à sua própria pergunta: “Todas as crianças que afirmam ser um Buraco Negro são alunos daquele bastardo.”
A mão do robô vibrou após suas palavras. ‘Aquele bastardo’ atendeu.
A voz simples do androide se tornou uma voz de homem, baixa e gentil: “Que raro. A que devo esse prazer?”
O proprietário respondeu brevemente: “Venha. Encontrei algo seu.”
“Oh?” O Diretor Lu disse com um sorriso: “O que eu perdi?”
Sua voz era preguiçosa e auto-satisfeita, e ele falava como se estivesse cantando, mas sua enunciação era perfeitamente clara; o final de sua frase tinha um tom brincalhão e afetuoso. Ele não parecia um diretor sério.
“Uma criança chamada Huang Jingshu. Verifique se ela é uma de suas alunas.”
A mão do robô silenciou, depois a voz ficou muito mais séria, não mais como um DJ da meia-noite, mas como um repórter: “O quê? O que aconteceu? Onde você está?”
Uma espada prateada brilhou acima do pulso do homem antes que ele pudesse responder.
Vestindo o paletó, ele se levantou e falou para a mão: “No bar clandestino. Pare de bater papo, apenas venha e leve a garota embora.”
Então ele desligou, estendendo o braço. A mão robótica caiu do pedestal e se moldou ao seu braço como uma pulseira – exatamente como um papagaio bem treinado!
Huang Jingshu ficou atordoada, nunca tendo visto nada assim em sua galáxia atrasada antes.
“Penny, fique de olho.” Disse o homem ao sair pela porta dos fundos.
Logo depois que ele saiu, um homem de meia-idade com uniforme de policial entrou no bar clandestino. Ele sorriu cortesmente para o estranho trio motorizado.
“O que aconteceu? Ouvi dizer que ele precisa de mim para alguma coisa.”
“Aquele.” A mulher chamada Penny apontou para o menino: “Garoto perdido. Basta o levar embora.”
“Ok, ok, claro. Você pode confiar em mim, Senhorita Penny.” O policial, que mais parecia um irmão mais novo, pegou o menino e o confortou como se já tivesse feito isso mil vezes. Então ele olhou em volta, com ainda mais cortesia. “Ei… Si ge estava aqui agora há pouco?”
A garota delinquente, Huang Jingshu, reprimiu um bocejo abruptamente, quase deslocando a mandíbula.
Penny olhou para ela, divertida.
“Que coincidência.” Disse ela, tirando o palito da boca. Seus lábios rosados se contraíram enquanto apontava para a porta dos fundos entreaberta. “Ele acabou de sair.”
Capítulo 03
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Can Ci Pin – Imperfections
Gênero: Ação; BL; Danmei; Drama; Ficção Científica; Mecha; Romance; Shounei-Ai
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