136.
“Hehe. Hehe.” Bliss não conseguia esconder o sorriso de orelha a orelha que se abria continuamente em seu rosto.
Mesmo enquanto mastigava um pedaço grande de carne que havia colocado na boca, suas bochechas estavam estufadas ao máximo e não pareciam querer diminuir. Do outro lado da mesa de jantar, os lábios de Cassian, que observava aquela cena, também se relaxaram suavemente.
“Está de bom humor, Bliss?” Diante daquela voz calma, Bliss mudou de expressão instantaneamente, ficando sério.
“É Bliblair, Conde.” Diante da reação de Bliss, que de repente o encarou com os olhos como se nunca tivesse sorrido na vida, Cassian mal conseguiu engolir o suspiro que tentava escapar.
Depois de encomendar um diamante de 50 quilates que não fazia o menor sentido por ser ridiculamente grande, ele havia comprado todo tipo de coisa, como se estivesse fazendo uma limpa nas lojas da rua.
Quando comprou um objeto que Bliss disse que queria — e que os vendedores insistiam ser uma pulseira, mas que, por mais que se olhasse, só parecia um pedaço de fita adesiva grossa e transparente —, Cassian chegou a refletir seriamente por um momento sobre o que era a vida.
No entanto, nada disso importava. Se Bliss estava feliz, isso já era o suficiente.
…Era o que ele pensava.
Cassian olhou para Bliss, à sua frente, com as sobrancelhas franzidas. Até quando, afinal de contas, ele pretende continuar com essa maldita ladainha de Bliblair?
Quem fingiu não conhecer Bliss durante todo esse tempo foi Cassian, e quem o provocou chamando-o de Bliblair também foi ele. É claro que ele tinha consciência de que havia agido de forma imatura para a sua idade com alguém mais jovem. Por isso havia pedido desculpas e estava se esforçando agora.
Dá para ver claramente que ele está explodindo de alegria, mas ainda assim continuava sendo teimoso desse jeito.
Cassian fixou os olhos em Bliss enquanto bebia seu vinho. A forma como ele balançava a cabeça com a boca escancarada não deixava margem para dúvidas, mas, a julgar pela atitude atual, a resposta já estava definida.
Isso significa que ele ainda não está totalmente satisfeito.
Era um problema realmente complicado. Desde que nasceu, nunca havia faltado nada para Bliss. O que quer que ele quisesse, ele podia ter, e se fosse algo que não existisse no mundo, provavelmente dariam um jeito de criar. Por causa disso, era quase impossível acalmar o coração dele com bens materiais.
O motivo de ele estar gostando tanto disso provavelmente era outra coisa.
“Você gosta tanto assim de estar ao ar livre?” Quando Cassian jogou a pergunta sutilmente, Bliss assentiu com a cabeça imediatamente e abriu um sorriso radiante.
“Claro! É a primeira vez que saio para me divertir assim desde que vim para o Reino Unido. Aquele castelo… de tão grande que é, se você tentar fazer uma limpeza geral, leva duas noites e três dias só para limpar as janelas…”
Empolgado, ele falava sem parar quando, de repente, percebeu o que estava fazendo e mudou de atitude na mesma hora.
“Claro que essa é a obrigação natural de um servo, meu senhor. Sim, sim.” Falando de forma submissa, Bliss colocou na boca um pedaço de carne cortado bem pequeno, com uma expressão emburrada.
Cassian não disse nada ao ver aquela cena. Sim, deixa para lá. Ele vai parar por conta própria quando se cansar de agir assim. Engolindo um suspiro e controlando seus sentimentos, ele logo mudou de assunto e perguntou:
“Comprou tudo de que gostou? Não precisa de mais nada?”
Pensando bem…
Ao ouvir a pergunta de Cassian, Bliss de repente se lembrou de algo que havia esquecido. Por terem acontecido tantas coisas nesse meio tempo, ele não tinha conseguido prestar atenção no pedido de Larien.
“Quando você receber o seu salário, compra um apartamento para mim.”
É claro que eu tenho que comprar. Afinal, o salário semanal já acumulou bastante. Pensando assim, Bliss respondeu de forma bastante arrogante.
“Eu tenho uma coisa, mas tudo bem. Vou comprar com o meu próprio dinheiro.”
“O que seria?” Cassian perguntou com uma curiosidade genuína.
Pensando que não haveria problema em dizer aquilo, Bliss respondeu honestamente.
“Estou planejando comprar um apartamento em Londres. Mas tudo bem, eu posso pagar.” Diante daquelas palavras, Cassian soltou uma risada abafada enquanto cortava o bife.
“Bliblair, o encarregado da limpeza do Ducado, comprando um apartamento em Londres.”
Ele pensou que Bliss, que até agora vinha se rebelando sempre que tinha a chance e se chamava de Bliblair, certamente reagiria àquelas palavras. Seria perfeito se ele simplesmente se rendesse desta vez.
No entanto, para a sua surpresa, Bliss exibiu um sorriso cheio de confiança no rosto, estufou o peito com imponência e retrucou: “Claro que posso comprar. Afinal, eu tenho o meu precioso salário semanal que venho guardando direitinho, sem gastar um único tostão.”
Diante daquela resposta, Cassian, que estava prestes a levar o bife à boca, paralisou. Ele apenas moveu o olhar para encarar Bliss, mas não houve nenhuma mudança na expressão confiante do garoto.
“…Você está falando sério?”
Será que eu estava pagando um salário tão alto assim para os meus funcionários?
Quando Cassian perguntou sem conseguir esconder a confusão, Bliss ergueu o queixo o mais alto que pôde, assentiu e respondeu:
“Claro que estou falando sério. Como é uma boa quantia, acho que ainda vai sobrar um pouco, não é? Quero comprar coisas gostosas para comer e também alguns presentes para a minha família. E, para o senhor, Conde… bem, acho que posso até lhe dar um pirulito.”
Se alguém ouvisse aquilo, provavelmente pensaria que o salário semanal dele era de no mínimo 100 mil libras. É claro que, mesmo se fosse esse o caso, a ideia de comprar um apartamento em Londres continuava sendo um absurdo completo.
No entanto, Cassian não tinha mais nenhuma energia para apontar aquele fato. Com o rosto de quem parecia ter tido a alma drenada, ele apenas disse:
“…Parabéns.”
“Obrigado. Vou comprar uns dois pirulitos para o senhor, então.”
Cassian ia dizer que dispensava porque não comia doces, mas desistiu. Que utilidade teria aquilo? No momento, o mais importante era não desanimar Bliss.
“No mercado imobiliário, os golpes são comuns. Você já pesquisou o suficiente sobre isso?”
“Eu não sou tão burro assim.”
“As pessoas não caem em golpes por serem burras.” Segurando firmemente com o polegar e o indicador a boca de Bliss, que logo se projetou para a frente em um bico, Cassian falou com uma severidade incomum. “Por mais que você tome cuidado, se der azar, pode acontecer. Por isso estou dizendo que você precisa se preparar muito bem. Entendeu?”
Bliss continuava com o rosto cheio de descontentamento, mas quando Cassian disse “Responda” e balançou de leve a boca que estava segurando, ele acabou não tendo outra escolha senão se render.
“Uf-hum. (Entendi.)”
“Muito bem.” Só depois que Bliss assentiu é que Cassian soltou sua boca.
Para Bliss, que massageava os lábios enquanto o encarava com os olhos cheios de ressentimento, Cassian voltou ao seu tom de voz habitual e disse:
“Você ainda não decidiu em que lugar vai comprar o apartamento, certo? Então, tudo bem se eu der uma olhada para você?”
“Hã…?” Bliss olhou para Cassian, do outro lado da mesa, com a mão ainda amassageando a boca. Ele ficou desorientado com a proposta inesperada, mas logo se lembrou do que o outro havia dito antes. “O senhor não está tentando me dar um golpe, está?”
Diante da reação de Bliss, que imediatamente o encarou desconfiado, Cassian respondeu com um tom de voz calmo.
“Eu não sou tão miserável a ponto de visar o seu pequeno e adorável salário semanal.” Em seguida, ele acrescentou rapidamente, sem dar margem para que Bliss começasse a divagar de novo: “Pense racionalmente, Bliss. Quem conhece Londres melhor: eu ou você? Não custa nada ouvir o conselho de quem sabe mais.”
É claro que as palavras dele faziam todo o sentido. Bliss também ficou balançado. Após um breve silêncio, ele assentiu discretamente. A resposta veio logo em seguida.
“Está bem, eu te peço esse favor.”
“Certo.”
Pensando que o assunto finalmente estava resolvido, Cassian ia voltar a comer quando Bliss falou: “É Bliblair, Conde.”
Cassian quase soltou um gemido de agonia e levou a mão à cabeça. Conseguindo por um triz manter a compostura, ele pousou os talheres que segurava. Continuar o jantar estava fora de cogitação. Engolindo um suspiro, ele ergueu a cabeça e encarou a capivara atrevida à sua frente.
“Mas me diga uma coisa, Bliss.”
“É Bliblair, Conde.”
“Sim, Bliss. Mas qual é o motivo de querer comprar um apartamento em Londres? De qualquer forma, quando se casar comigo, você vai morar no meu castelo, então por que precisa tanto disso?” Cassian perguntou rapidamente antes que Bliss pudesse dizer outra besteira e, só depois de terminar a frase, fechou a boca esperando pela reação.
Se ele queria tanto assim, Cassian poderia comprar como presente de casamento ou o que quer que fosse, mas estava curioso sobre o motivo. Seria apenas o desejo de possuir algo? Sem nenhum propósito?
“Hã…?” Pela primeira vez, Bliss ficou sem saber o que fazer.
Nós não vamos nos casar de verdade, então não há motivo para eu morar no seu castelo. Até quando você pretende me enganar? Esse é o presente que a Larien me pediu.
E por que vou dar um presente para Larien? Ora, porque ela se esforçou muito para que eu chegasse até aqui, então é uma recompensa merecida.
E por que eu vim parar aqui? Que idiota, tudo isso foi um grande plano para destruir você!
Seu idiota perverso e sem-vergonha…
Mas ele não podia dizer isso em voz alta.
Bliss mal conseguiu manter a boca bem fechada, engolindo à força as palavras que insistiam em sair. O que eu digo agora? O que eu faço? No instante da crise, uma salvação inesperada surgiu.
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Deflower Me If You Can
Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...