Deflower Me If You Can

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O sol já se preparava para se pôr lentamente. 

Olhando para o céu tingido de amarelo, Penelope respirou fundo, tomada pela expectativa. 

Finalmente havia chegado a hora.

Desde o momento em que recebeu as ordens de Cassian até agora, ela veio cobrando o máximo dos funcionários, correndo contra o tempo apenas para aquele momento. Terminou os preparativos acendendo todas as velas da sala de jantar, encomendando várias vezes mais flores do que o normal e tirando até as louças que só eram usadas em dias especiais. 

O chef principal e o confeiteiro elaboraram o menu com todo o cuidado seguindo as ordens do mestre e os ajudantes de cozinha correram ocupados o tempo todo para preparar a comida no horário certo.

E, finalmente, chegou o momento.

Penelope dirigiu-se ao quarto de Bliss com passos leves. Enquanto eles jantassem calmamente, os demais funcionários decorariam o quarto de Cassian o máximo possível, conforme instruído com antecedência. 

Finalmente, a tão esperada primeira noite de reconciliação…!

“Bliss, Bliss.”

Batendo de leve na porta, ela falou com a voz o mais suave possível.

“Bliss, sou eu. A Penelope. Abra a porta um minutinho.” Ela encostou o ouvido na porta de de leve, mas tudo estava em silêncio. 

Será que ele caiu no sono de tanto chorar? 

Sentindo uma pontada de pena e compaixão, Penelope segurou de leve a maçaneta da porta. Tinha que consolá-lo bem para levá-lo à sala de jantar. Tudo bem se atrasar um pouco. O Conde entenderia e, pensando no que ele mesmo fez, esse tanto já seria um castigo natural.

“Bliss, estou entrando.” Penelope abriu a porta após pedir licença primeiro. 

Ela estava imaginando Bliss dormindo de bruços na cama, mas a realidade foi diferente.

“Hã?”

Tendo soltado uma exclamação sem perceber com a porta aberta, Penelope piscou os olhos rapidamente. No entanto, nada mudou. A cama estava completamente vazia. 

Não, a silhueta de Bliss não estava em lugar nenhum do quarto.

“B-Bliss? Por acaso você está brincando de esconde-esconde?” Mesmo tendo rido, “hahaha”, dizendo algo sem sentido, o que retornou foi apenas o mesmo silêncio. 

Penelope, agora em pânico, começou a revistar cada canto do quarto tardiamente. Ao contrário dos quartos dos outros funcionários, ela também revistou o banheiro que ficava especialmente anexo ao quarto de Bliss, mas o resultado foi o mesmo.

Não estava.

Ela ficou pálida e segurou a cabeça com as duas mãos.

Bliss sumiu!

***

Uma música clássica calma ecoava dentro da sala de jantar. 

Cassian estava esperando por Penelope, sentado de forma ereta na cadeira. Estava demorando um pouco mais do que o esperado, mas tudo bem. 

Provavelmente ela deveria estar no meio de convencê-lo, já que aquele garoto devia estar fazendo birra dizendo que não iria sair.

Ao imaginar Bliss sendo arrastado com os olhos inchados de tanto chorar, um sentimento de afeição e, ao mesmo tempo, de amor surgiu nele. Cassian encostou-se confortavelmente na cadeira e entrelaçou as duas mãos sobre o abdômen.

Hoje, não importa o absurdo que aquele amendoim diga, vou escutar tudo em silêncio.

Ele fechou os olhos, respirou fundo e acalmou a mente. 

Em sua cabeça, uma capivara louca corria pela sala de jantar cantando por conta própria: “O Conde Heringer gosta de mim, gosta de mim”, mas tudo bem. Já que hoje ele pretendia ser generoso, não importava o quão patética fosse a cena que presenciasse.

No momento em que o rosto desapontado de Bliss, que vira naquele dia, surgiu de repente em sua mente, ele abriu os olhos abruptamente sem perceber. Depois de soltar um suspiro involuntário, Cassian endireitou a postura e relaxou a tensão nos ombros.

Sim, é bem melhor quando ele fica me provocando.

Foi bem quando ele tomou essa decisão. O som de passos correndo apressadamente pôde ser ouvido ao longe. 

O que era? Cassian franziu a testa e olhou em direção à porta. Se fosse o som de alguém trazendo Bliss, não haveria motivo para tanta urgência. 

Passos tão urgentes assim certamente não significavam algo bom. 

No momento em que um pressentimento sinistro surgiu, os passos pararam diante da porta e, em seguida, ouviu-se a voz da governanta.

“Conde, é a Penelope. Vou entrar.” A voz era a mesma de sempre, mas havia um leve tremor nela. 

Sem conseguir decifrar se era por causa da respiração ofegante ou por outro motivo, ela abriu a porta e entrou na sala de jantar. A testa de Cassian se franziu ainda mais enquanto ele olhava naturalmente ao redor dela. A silhueta de Bliss não estava visível. Para ele, que direcionou o olhar de volta para o rosto de Penelope, a governanta relatou com o rosto pálido.

“O Bliss desapareceu.”

Bem naquele instante, Cassian experimentou, pela primeira vez, a sensação de sua mente ficar completamente em branco enquanto permanecia de olhos bem abertos.

***

Blis..-, não, Blair desapareceu.

A mansão do Conde Heringer virou de ponta cabeça, literalmente. 

O Conde gritava a plenos pulmões para que encontrassem Bliss, ou Blair, imediatamente, e os funcionários, aterrorizados com a fúria do patrão, corriam por todos os cantos do castelo procurando por ele.

“Não o encontramos, Conde. Em lugar nenhum.” Penelope, que retornou após cerca de duas horas terem se passado, confessou com o rosto pálido de medo. 

Cassian sentiu como se o próprio céu estivesse desabando sobre sua cabeça.

Como isso foi acontecer? Para onde diabos o Bliss desapareceu?

Ele simplesmente não conseguia entender. Aquele garoto claramente gostava de Cassian, então por que desapareceria assim tão de repente? 

Sem dar ao menos um simples adeus?

Sem nem olhar para mim.

“Merda.” Soltando um xingamento, ele passou a mão pelo cabelo de forma irritada. 

Será que ele estava tendo mais um encontro secreto com aquele desgraçado?

“E o jardim?”

“Hã?” Diante da pergunta de Cassian, Penelope hesitou e perguntou de volta. 

Ele, irritado, aumentou o tom de voz e repetiu a mesma pergunta.

“Estou perguntando se você procurou no jardim! No jardim!”

“Ah, sim. Claro que procurei…”

“Procure de novo!” Assim que Cassian gritou, ela hesitou por um instante, assentiu com um “sim” e saiu do quarto novamente. 

Cassian mal conseguia conter o impulso de pegar qualquer objeto e arremessá-lo longe por causa do calor do momento, optando por respirar fundo em vez disso. Do lado de fora, nuvens escuras se aproximavam. Parecia que a chuva, que caía constantemente, estava prestes a desabar de novo. O problema era o fato de que, agora, ninguém sabia onde Bliss estava.

E se ele acabar pegando uma pneumonia por tomar chuva…?

Se isso acontecer, não vai importar se é noivo ou o que for, eu vou esmurrar aquele desgraçado até a morte. 

Não bastasse ter a audácia de ter um encontro secreto com o Bliss bem debaixo do meu nariz, ele ainda faz aquela criança pequena e frágil ficar doente?

Não posso ficar parado aqui.

No momento em que um raio cortou as nuvens e o som estrondoso do trovão ecoou, ele não hesitou mais e pegou seu casaco de uma vez. Seria melhor ele mesmo ir verificar. 

Talvez houvesse um lugar em que os funcionários ainda não tivessem pensado em olhar.

“Penelope, chame…” Ao tentar chamar a governanta por força do hábito, ele se lembrou de que tinha acabado de dar uma bronca nela e a enviado para fora, soltando um suspiro de autocensura. 

Sem escolha, ele se apressou para sair do palacete quando, de repente, congelou. Parecia que uma sombra se movia no lado oeste do corredor, mas logo desapareceu. 

Será que era aquele garoto? 

Pensando na possibilidade, ele abafou o som de seus passos e se aproximou, enquanto a esperança e a ansiedade oscilavam intensamente em seu coração.

Caso fosse realmente aquele garoto…

Eu deveria ficar bravo por ele ter me deixado tão preocupado, pensou ele, mas, por outro lado, se fosse mesmo o Bliss, ele se sentiria apenas grato. Foi bem nesse momento que vozes sussurrantes chegaram aos seus ouvidos.

“Eles ainda estão procurando por ele?”

À voz do homem, uma mulher respondeu desta vez.

“Sei lá, estão só fingindo que estão procurando.”

Logo, uma outra voz se intrometeu.

“Eu acabei de tirar um cochilo no meu quarto e saí agora.”

“Eu também, haha.”

Em seguida aos risinhos, outra voz comentou.

“Mas afinal, o que aconteceu? Por que o Conde está procurando tanto por aquele garoto?”

“Não é só por formalidade? A Penelope trabalha aqui há muito tempo, então ele deve estar fazendo isso só por consideração a ela.”

“Quer dizer que é só para manter as aparências?”

“Exatamente, então não precisa se esforçar à toa.”

E a primeira voz voltou a falar:

“Vamos só matar o tempo também. Duas horas devem ser o suficiente.”

“Sim, até lá aquele cara já deve ter caído na real.”

“A essa hora ele deve estar chorando as pitangas de tanto medo, não acham?”

“Socorro, alguém me ajude!”

“Os ianques dos norte-americanos falam desse jeito? No inglês deles não seria mais tipo: Socoorru, argém me aiude?” (*Socorro, alguém me ajude*)

Diante da piadinha de alguém, o grupo caiu na gargalhada. 

Até aquele momento, eles estavam se divertindo ao máximo. Isto é, até que um deles, limpando o canto dos olhos lacrimejantes de tanto rir, virou a cabeça e congelou completamente.

“O-olha ali.” Quando ele começou a gaguejar, confuso, os outros direcionaram seus olhares um a um e, consecutivamente, todos congelaram. 

No momento em que os rostos risonhos ficaram pálidos e estáticos, Cassian finalmente abriu a boca:

“Eu gostaria que alguém me explicasse exatamente o que eu acabei de ouvir.”

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Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...

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