116.
“Sim, ele está bem de saúde.”
Diante da resposta de Cassian, ela assentiu com um rosto satisfeito e depois voltou sua atenção para Bliss, que havia descido logo atrás.
“Bli… Blair também parece saudável. Com certeza não aconteceu nada de especial, não é?”
Com um olhar cheio de curiosidade, Bliss olhou para cima em direção a Cassian. Ele estava, indiferentemente, ajeitando a dobra de suas roupas.
Ele está fingindo descaradamente que não sabe de nada.
Pensando nisso, Bliss respirou fundo. É agora. Bem agora! Com os olhos arregalados de indignação, o loiro olhou para Cassian e gritou em voz alta: “Tudo está ótimo, exceto pelo fato de que esse desgraçado está me enganando!”
Naquele momento, a mão de Cassian que segurava a gola de seu terno congelou, os olhos de Penelope se arregalaram de choque e todos os empregados ao redor ficaram horrorizados. Enquanto todos pararam até de respirar e o silêncio se instalou, apenas Bliss bufava furiosamente pelo nariz, encarando Cassian.
O tempo pareceu passar como uma eternidade. Na verdade, foram apenas alguns segundos, mas todos os presentes ali pensaram da mesma forma.
Parecia que toda a minha vida restante havia passado naquele instante.
“O-o que… o que é isso…” A primeira a falar foi Penelope.
Embora tenha gaguejado com um rosto visivelmente perturbado, o som de sua voz fez Cassian recuperar a compostura e abrir a boca como de costume.
“O jantar está pronto?”
“Hã? Ah, não, como são apenas 4 horas… Devemos preparar agora?” Com a pergunta repentina, Penelope se assustou novamente e respondeu às pressas.
Cassian continuou a falar como se nada tivesse acontecido, embora seu rosto estivesse estranhamente pálido.
“Não, primeiro traga o chá preto e biscoitos. E… traga um lanche para Bli… Blair também.”
“Sim, sim.”
Esse desgraçado?
Ao ver Penelope responder às pressas e Cassian tentar deixar o local rapidamente, as veias saltaram na têmpora de Bliss. No entanto, ele não tinha a menor intenção de deixá-lo fugir assim. Era o momento pelo qual ele vinha esperando ansiosamente desde a noite anterior, como se ele fosse deixá-lo ir!
De jeito nenhum!
“Pare aí mesmo, Cassian Strickland! Aonde pensa que vai fugir?!”
“B-Blis… não, Blair!” Quando ele gritou de repente, Penelope, cujo rosto ficou pálido novamente, tentou conter Bliss às pressas.
No entanto, Bliss não parou e continuou a gritar em direção a Cassian.
“Cassian, sou eu! Sou eu! Eu sei que você sabe de tudo! Pare de esconder e confesse logo! Seu bastardo desgraçado! Cassian! Mmpf.” De repente, Cassian se virou bruscamente e tapou a boca de Bliss.
Com a boca bloqueada por uma palma enorme, emitindo apenas sons abafados de protesto, Cassian olhou para Bliss com um sorriso e disse: “Você parece muito cansado, está até dizendo bobagens. Penelope, traga o chá e os biscoitos para o meu quarto, e traga as coisas para esse garoto junto.”
Depois de dar as instruções à governanta, ele olhou para baixo para Bliss e acrescentou.
“Que tal irmos para o quarto? Depois de comer alguns biscoitos e dormir um pouco sua mente deve voltar ao normal. Seria bom você descansar no meu quarto até lá.”
“Mmpf, mmpf, mmpf!” Bliss continuou a se debater, mas não adiantou nada.
Cassian facilmente o ergueu, prendendo-o debaixo do braço e subiu as escadas enquanto mantinha a outra mão tapando a boca dele. Diante da imagem de seu mestre desaparecendo num piscar de olhos ao subir três ou quatro degraus de uma vez, os empregados continuaram parados, em choque, apenas piscando os olhos.
A primeira a recuperar os sentidos foi Penelope.
Ela piscou os olhos, soltou um estalo com a língua e bateu palmas rapidamente para chamar a atenção de todos.
“Certo, todos prestem atenção. Vocês ouviram as ordens do Conde, não é? Vamos nos mexer. Eu vou preparar o chá, então Mary, prepare os doces. O restante de vocês, voltem para os seus postos. Rápido! Como o Conde voltou, há muito trabalho a fazer, mexam-se rápido!”
Com a insistência repetida da governanta, os empregados se retiraram de forma desajeitada, ainda atordoados. No entanto, isso não significava que o incidente chocante de agora a pouco havia desaparecido de suas mentes.
“Aquele garoto estrangeiro acabou de xingar o Conde?”
Diante da pergunta de um dos empregados, que parecia não acreditar no que ouviu, outro homem respondeu, perplexo: “Pois é. Todos vocês ouviram, não é? Eu pensei que meus ouvidos estavam com problema.”
Em seguida, um alvoroço começou a surgir de vários lados.
“Como um ianque sem eira nem beira se atreve a falar de forma tão grosseira com o Conde? Ele enlouqueceu de vez.”
“Além disso, ele ficou chamando o Conde pelo nome diretamente como se não fosse nada. Eu quase desmaiei.”
“O que um norte-americano vulgar saberia? Só porque o tratamos bem, ele perdeu o medo do perigo do mundo.”
“Você está certa, nós o tratamos bem demais esse tempo todo. Devíamos ter corrigido esses maus modos dele muito antes.”
“Ainda não é tarde. Está na hora de dar uma ‘lição’ àquele sujeito.”
Com as palavras de alguém, todos trocaram olhares com expressões tensas. Em seguida, outra mulher abriu a boca.
“Sim, não podemos fazer vista grossa para sempre. Precisamos dar um jeito nele.”
“Como ele se atreve a insultar o Conde? Isso é um insulto a todos nós.”
“Certo, eu também acho.”
“Eu também concordo.”
“Eu também, eu também.”
Ao confirmarem a unanimidade de opiniões, eles se entreolharam. O problema era o que viria a seguir.
‘Como’ eles iriam castigar aquele americano atrevido?
Enquanto ponderavam por um momento, um deles abriu a boca.
“Eu tenho uma boa ideia…”
***
“Aaah!” Bliss, que foi praticamente arremessado no sofá, soltou um grito ao cair de bruços.
Levantando a cabeça rapidamente do assento macio, ele virou o rosto abruptamente e gritou com todas as suas forças enquanto encarava Cassian.
“Seu patife! Mentiroso! Vigarista!”
“Sim, sim.” Cassian falou com desdém, como se já bastasse, e afrouxou a gravata.
Ao vê-lo andar calmamente pelo quarto tirando o paletó do terno e desabotoando a camisa branca, agindo como se Bliss sequer existisse, Bliss ficou boquiaberto de indignação.
“Pare com isso e confesse logo, você sabe quem eu sou!” Batendo os pés de frustração enquanto gritava, Bliss viu Cassian tirar as abotoaduras e colocá-las sobre a mesa lateral.
Cassian olhou para ele e disse.
“É claro que eu sei, Bliblair.”
“Não é isso!”
No fim, Bliss se levantou num salto, correu em direção a Cassian e começou a desferir socos de qualquer jeito.
“Eu sou o Bliss, Bliss Miller! Você sabia disso desde o começo e continuou fingindo que não sabia, me enganando!”
“Eu nunca fiz isso.”
“Fez sim!”
“Eu disse que não, Bli… Blair.” Agarrando as duas mãos de Bliss para interromper os socos, Cassian olhou para baixo em direção a ele e murmurou com uma voz baixa: “Você é o Bliblair, não é? Um americano que veio aprender o trabalho de mordomo como um parente distante da Penelope.”
Bliss ficou tão chocado que, por um momento, perdeu a voz.
Por que diabos esse cara insistia tanto nisso?
“Me solta, solta! Ai!” Apesar de se debater com toda a força, Cassian nem se mexeu.
Então, Bliss virou a cabeça abruptamente e mordeu o braço de Cassian.
“Ai! Sua capivara louca!” Quando Cassian gritou e soltou as mãos, Bliss recuou rapidamente.
Esfregando o lugar que havia acabado de ser mordido com a mão, o loiro não se intimidou diante do olhar feroz de Cassian e gritou: “Confesse logo! Por que está fingindo que não sabe? Você gosta de mim, então por que continua fingindo e me evitando? Seu covarde desgraçado, que nem consegue revelar a verdade!”
“Porque essa é a configuração do meu mundo atualmente!” No fim, Cassian, incapaz de suportar, gritou.
Diante dessas palavras inesperadas — antes mesmo de ele conseguir soltar todos os insultos que havia preparado —, Bliss ficou instantaneamente confuso.
“…Configuração do mundo? O que você quer dizer com isso?”
Diante da pergunta feita com os olhos arregalados, Cassian simplesmente virou o rosto em silêncio. Ele percebeu que havia cometido um deslize no calor do momento, mas não queria admitir. No entanto, desta vez, ele não teria como escapar.
“O que você acabou de dizer?! Que configuração do mundo? Explique, rápido!” Bliss continuou a pressioná-lo.
Por fim, Cassian cobriu o rosto com uma das mãos e soltou um suspiro profundo. Pensando que a situação tinha chegado longe demais e sentindo um breve ceticismo, logo percebeu que não havia outra alternativa. No fim, ele desistiu e abriu a boca.
“…A de que eu.”
Antes de dizer as próximas palavras, ele teve que suspirar profundamente mais uma vez.
De repente, o cansaço o atingiu e ele sentiu vontade de deixar acontecer o que tivesse de acontecer. Sim, haveria como as coisas ficarem ainda piores do que isso?
Por fim, Cassian passou a mão pelo cabelo e olhou para baixo em direção a Bliss. Sem desviar o olhar, encarando-o diretamente nos olhos, ele abriu a boca.
“A configuração do mundo de que eu gosto de você.”
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Deflower Me If You Can
Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...