Deflower Me If You Can

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🟡 Em breve

“Vamos, depressa. Beba, por favor, beba isso.”

Cassian esperava ansiosamente. 

Ele achou que Bliss estava erguendo um pouco a cabeça, parecendo olhar na direção do copo. Mas, no instante em que pensou “finalmente”, a cabeça dele caiu novamente.

“Estou bem, não quero.”

Ah, Cassian quase soltou um suspiro audível. A voz que ele ouvia pela primeira vez estava completamente abatida e terrivelmente rouca. 

O quanto ele devia ter chorado alto para que a sua voz nem sequer saísse direito?

Ele se sentia terrivelmente culpado até por ter pedido para que ele viesse ao café da manhã. Como pude ser tão insensível a ponto de achar que, a essa altura, ele já estaria bem?

Como pude acreditar que ele ficaria agindo como se nada tivesse acontecido, logo após ouvir da boca de alguém em quem confiava cegamente e de quem gostava, que tudo na verdade era uma mentira e que nunca havia gostado dele nem por um segundo?

“Bliblair…” Cassian, que estava prestes a chamá-lo pelo pseudônimo por força do hábito, hesitou. 

Seria mesmo necessário manter as aparências daquele mundo agora? 

Não seria melhor fazer isso depois que o corpo de Bliss melhorasse um pouco? O mais importante no momento era o Bliss, o estado dele estava péssimo.

Tendo pensado até ali, Cassian firmou o pensamento e abriu a boca novamente. Na hora de pronunciar aquele nome, as palavras não saíram facilmente, mas ele precisava fazer isso. No momento em que ele, determinado, finalmente soltou o som:

“Bliss.”

“Eu já vou me levantar.” Bliss, que falou quase ao mesmo tempo, levantou-se subitamente de seu lugar. 

Cassian, pego de surpresa um segundo atrasado, piscou os olhos confuso e se levantou logo em seguida.

“Espere um pouco, você já vai? Não tomou nem um gole de água!” Cassian gritou apressadamente, mas Bliss, ainda parado no mesmo lugar, respondeu com uma voz baixa.

“Estou bem, não quero comer. Com licença, então…”

Bliss, que fez uma saudação formal, virou-se e caminhou em direção à entrada. Cassian tentou ir atrás dele, mesmo que tarde demais, mas falhou novamente. Penelope, que voltava trazendo uma toalha molhada, acabou deparando-se com Bliss.

“Oh, céus, Bliblair. Onde o senhor vai? E a refeição?”

“Estou bem, vou voltar para o quarto.” Bliss repetiu as mesmas palavras de antes e seguiu caminhando cambaleante. 

Para Penelope, que olhava para trás como quem pede permissão, Cassian fez um sinal com a mão indicando que estava tudo bem e que era para ela acompanhá-lo. Assim que Penelope saiu às pressas dando apoio a Bliss, Cassian, que ficou sozinho, chamou o funcionário.

“Uísque, com gelo.”

“Sim, senhor.” Diante da ordem do patrão para trazer bebida logo pela manhã, o funcionário, embora perplexo, retirou-se sem dizer muita coisa. 

Quando Penelope retornou, Cassian já estava esvaziando seu segundo copo de uísque.

“Bebendo desde manhã, Conde?”

Penelope falou em tom de preocupação, mas o que importava para Cassian no momento era outra coisa.

“Como está o Bliss?”

Diante da pergunta direta, Penelope soltou um suspiro cheio de preocupação e levou a mão à bochecha.

“É claro que não está nada bem. Eu o deitei na cama antes de sair, mas ele parecia estar completamente sem forças. Perguntei se ele precisava de algo, mas ele apenas disse que estava bem.”

Para ela, que suspirava profundamente mais uma vez, Cassian, que estivera em silêncio por um momento, abriu a boca.

“Como o Bliss estava ontem?”

Penelope respondeu como se estivesse esperando por aquilo.

“Não consegui nem ver o rosto dele. Ele manteve a porta trancada e só ficou chorando sem parar.”

Cassian sentiu o peito apertar e abaixou a cabeça. Ao constatar que o copo estava vazio quando tentou beber novamente, ele o pousou sem forças e mergulhou em pensamentos por um instante.

“…Ele nem deve ter conseguido tomar o chá com os doces, não é?” Quando ele resmungou como se falasse sozinho, Penelope olhou para ele com uma expressão de incredulidade.

“Como ele comeria doces chorando daquele jeito? Ele nem abriu a porta, então eu sequer consegui ver o rosto dele.”

Cassian fechou a boca com uma expressão amarga. 

O clima não era dos melhores, mas, pensando por outro lado, era um obstáculo pelo qual ele teria que passar de qualquer forma. Afinal, o momento de revelar a verdade sempre acaba chegando.

Apenas calhou de ser exatamente agora.

Cassian organizou seus pensamentos friamente. Embora estivesse demorando mais do que o esperado, ele não deixaria passar de hoje. Amanhã de manhã, certamente voltaria a ser o Bliss de antes. 

Sim, isso era apenas um período de transição.

Como se fizesse uma promessa a si mesmo, ele assentiu com a cabeça e, despejando bebida no copo mais uma vez, esvaziou-o de um gole só. Enquanto isso, o prato que Bliss sequer havia tocado ia esfriando melancolicamente.

***

Que tipo de idiota pensaria numa ideia tão estúpida de que ele ficaria bem se lhe dessem apenas algumas migalhas de doces?

Na manhã seguinte, ao olhar para a cadeira vazia de Bliss, Cassian lembrou-se daquilo com o rosto obscurecido. Ao ver o seu senhor sentado sozinho à mesa completamente vazia, a governanta, sem saber o que fazer, perguntou preocupada.

“Hoje ele nem sequer se levantou da cama. O que faremos?” Penelope olhava para Cassian com os olhos inquietos e cheios de ansiedade. “Ele não vai acabar por desfalecer assim? Sabe, se o Conde fosse pessoalmente tentar confortar o Bliss…”

Que absurdo.

Penelope mexia os olhos ansiosos de um lado para o outro, incapaz de se acalmar, mas Cassian ignorou friamente a preocupação dela.

“Ele só está um pouco amuado. Logo passa.”

“……”

“O que é essa expressão?” Perante o rosto sombrio da governanta, que o encarava em silêncio, Cassian perguntou irritado. 

Então, Penelope abriu a boca com uma seriedade nunca antes vista.

“O Conde vê o Bliss como uma mera criança de seis anos?”

“…O quê?” Cassian ficou momentaneamente desorientado com aquela pergunta repentina. 

Olhando para o rosto do seu senhor, Penelope continuou a falar com uma voz cortante: “O Bliss já é um adulto. Quer dizer que já cresceu. Ainda não percebeu que ele não é uma criança que se acalma apenas ao dar-lhe uns doces e ao fazer-lhe uma festinha?”

“Que conversa mais absurda…” Cassian quase soltou uma gargalhada de puro espanto. 

Aquele miúdo é apenas uma criança, um garoto imaturo. 

Penelope estava sendo enganada por ele, a verdade era que o Bliss ainda era menor de idade. Se ela soubesse disso, perceberia o quão absurdo era o sermão que estava lhe dando. 

Não ser uma criança? Que bobagem. Aquele garoto é uma criança, e ainda por cima uma criança mimada e imatura…!

No entanto, apesar de pensar assim, ele não conseguiu dizer uma única palavra em voz alta. Porque ele próprio sabia perfeitamente quem era a pessoa que quase tinha beijado aquela “criança” por várias vezes.

“Cassian.”

Assim que o rosto adorável de Bliss chamando pelo seu nome lhe veio à mente, Cassian cobriu apressadamente o rosto com uma das mãos. Com a palma da mão tapando a sua face, que por algum motivo ardia, ele exclamou asperamente.

“Deixe ele em paz. Se ele tiver fome, acabará saindo sozinho. Não tenho tempo livre para ficar cedendo e fazer as vontades a uma criança. Deixe-o quieto e vai tratar dos teus afazeres.” Diante daquelas palavras cruéis, Penelope sentiu, pela primeira vez em relação ao seu senhor, uma mistura de ressentimento e uma fúria crescente.

“Sim, eu estava errada. O Conde tem toda a razão. O Bliss é novo, ainda é uma criança. Mas o Conde, sendo um homem adulto e maduro, vai mesmo continuar a agir dessa forma contra uma criança?”

Diferente de como agira até então, a governanta levantou a voz para expressar a sua indignação, deixando Cassian momentaneamente perplexo. Sem parar por ali, Penelope continuou a falar.

“Por que é que insiste em ser tão teimoso? Não é nada de mais. O Bliss vai partir daqui a pouco tempo. Não podia simplesmente tratá-lo com carinho até lá? Por que é que tem de magoar o coração do Bliss dessa maneira? Porquê?”

“Isso…” Cassian hesitou, prestes a dizer algo. 

Penelope esperou pela frase seguinte com uma postura firme, como quem o desafiava a falar se tivesse argumentos, mas ele apenas moveu os lábios sem conseguir emitir som algum. No fim, após um silêncio desconfortável, Cassian esfregou a testa com uma das mãos e murmurou com a voz abafada.

“Isso não pode ser. Não, não é necessário.”

“Sim, claro que o senhor não consegue.” Penelope soltou um bufo de desdém, como se já esperasse por aquela reação. Depois, pousou as duas mãos na cintura e encarou-o com um olhar afiado. “Seja honesto consigo mesmo, Conde. Continuar resistindo dessa forma só vai acumular mais arrependimentos.”

“Do que você está falando agora?”

Para Cassian, que fechou os olhos como se estivesse enfadado, Penelope lançou a cartada final: “O Conde gosta do Bliss! Deixe de negar e admita de uma vez por todas o que sente!”

Naquele instante, Cassian abriu os olhos abruptamente. O seu olhar fixou-se lentamente na governanta. 

E, sem dizer uma única palavra, os dois limitaram-se a encarar-se mútuamente.

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Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...

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