Deflower Me If You Can

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Penelope congelou com o sorriso ainda no rosto e não disse nada. 

Um segundo, dois segundos, três segundos. 

Apenas o tempo passava no silêncio. Depois de absorver o impacto de certa forma, o primeiro pensamento que veio à mente de Penelope foi um só.

Não era o Bliss, mas sim o senhor Conde quem deveria passar por um exame médico.

“Eu estou em sã consciência, Penelope.” Quando os pensamentos da velha governanta ficaram nítidos em seu rosto, Cassian franziu o cenho de forma visivelmente desagradável. “Você já esqueceu quem foi que ficou com raiva de mim, exigindo que eu admitisse meus sentimentos pelo Bliss?”

Diante da fala sarcástica, Penelope acabou soltando um sorriso sem graça.

“Claro que fui eu, senhor Conde. Eu me lembro, mas…” Ela ainda remoía aquilo com uma sensação de perplexidade. 

Casamento… Ela não tinha pensado que chegaria a esse ponto. 

A cabeça de Penelope ficou confusa. Embora tivesse estabelecido o casamento dos dois como o objetivo final, ainda achava que levaria mais tempo. 

Mas tão rápido assim? 

De repente, o obstáculo sumiu e, do nada, que tipo de desenvolvimento era esse?

“É uma notícia maravilhosa que o senhor Conde finalmente tenha caído em si. Mas senhor Conde, o casamento não seria rápido demais? Por acaso o senhor ouviu a opinião do Bliss sobre isso?”

Por mais que calculasse, faltava tempo para que Cassian se declarasse para Bliss e para que Bliss aceitasse esse sentimento. 

Não houve brecha para isso.

Se era assim, no fim das contas, tratava-se de uma decisão arbitrária do Conde…

Em seguida, Penelope sentiu uma admiração sincera. Decidir se casar imediatamente assim que tomou consciência dos próprios sentimentos… Que tremendo poder de iniciativa.

No entanto, logo uma preocupação a invadiu. 

Isso era, até onde se sabia, apenas o posicionamento do Conde. Por outro lado, o que o Bliss estaria pensando?

Ao se lembrar de Bliss chorando e sofrendo daquele jeito tão triste, seu coração não ficou em paz. 

Casamento só porque se passaram alguns dias após aquilo? Como diabos ele convenceu o Bliss? 

Não fazia o menor sentido.

“Ouvindo ou não, ele vai aceitar. Porque aquele garoto gosta de mim.” Cassian falou para a governanta, que demonstrava suas dúvidas.

“Oh, senhor Conde…”

Que palavras mais arrogantes. 

Embora fosse verdade que Bliss tinha chegado até ali por gostar de Cassian, aquilo e manter o orgulho eram questões diferentes. Ele estava transbordando de confiança ou, por acaso, estava lhe faltando bom senso?

“Se tem algo a dizer, diga.” Desta vez também, como se estivesse lendo os pensamentos de Penelope, Cassian franziu a testa. 

Com uma voz ríspida, Penelope perguntou cautelosamente.

“O senhor não está sendo precipitado demais? Por acaso o Bliss já se acalmou? Ou o senhor chegou a ouvir uma declaração dele?…”

Cassian ficou sem responder por um momento e depois abriu a boca.

“Não, não é nenhum dos dois.”

“O quê? Então, aquilo…” Ao ouvir a resposta que ela tanto tentava negar internamente achando que seria impossível, Penelope acabou ficando visivelmente atordoada. 

Havia uma expressão que lhe vinha à cabeça, mas não era algo que se pudesse dizer ao patrão. Como também não lhe vinha outra palavra apropriada, ela apenas hesitou mexendo os lábios, até que Cassian falou por ela.

“Tudo bem, eu vou convencê-lo.”

“Como?” Penelope perguntou apressadamente. 

Ela estava curiosa demais para aguentar. 

O que de fato o Conde estava pensando?

No entanto, Cassian não tentou explicar mais e mudou de assunto.

“Vá ver se o Bliss está dormindo bem. Transmita minhas palavras exatamente como são para os demais empregados, para que não cometam mais grosserias com o Bliss no futuro. O mesmo vale para os novos empregados que entrarem.”

Aquilo significava para ela sair logo. Penelope teve vontade de chorar e implorar para que ele lhe contasse, pois estava morrendo de curiosidade, mas o clima não era para isso.

O senhor Conde deve ter seus próprios planos, não é?

Se esperasse, saberia. Ela reprimiu à força a curiosidade que subia e deixou um conselho preocupado.

“O senhor deve ter seus motivos, é claro, mas não subestime os sentimentos do Bliss.” Respirando fundo por um instante, Penelope acrescentou seriamente. “A ferida causada por quem se ama dura por muito, muito tempo.”

Cassian hesitou e olhou para ela. Penelope curvou a cintura em vez de uma saudação de despedida e saiu do quarto. Cassian, que ficou sozinho, apenas franziu a testa e olhou para a porta fechada.

***

“Hwaaaaahhh…” Esticando os braços e as pernas para se espreguiçar, Bliss piscou os olhos ainda sonolentos e tentou focar a visão. 

Quando um teto de alguma forma desconhecido entrou em seu campo de visão, ele teve uma sensação estranha. 

Será que ainda estava sonhando?

Inclinando a cabeça, ele desviou o olhar para o lado. Ainda deitado, apenas piscando os olhos, ele examinou os arredores lentamente e fixou as pupilas de volta no teto. Ficando assim, piscando os olhos vagamente por alguns segundos.

“Ah!” Bliss soltou um grito de surpresa e sentou-se num salto. 

Olhou ao redor às pressas, mas nada mudou. Onde ficava aquilo? Atordoado, ele confirmou várias e várias vezes, mas o resultado era o mesmo. Bliss desceu correndo da cama e foi até a janela.

Ah.

A paisagem vista do lado de fora da janela era familiar. Era o jardim do Castelo de Heringer. Se era assim, eu tinha vindo para o lugar certo, mas onde ficava aqui?

De repente, ouviu-se um leve som de batida e, um momento depois, a porta se abriu. Ao ver a pessoa que entrou, Bliss arregalou os olhos. Penelope também viu Bliss parado junto à janela olhando para ela, abriu um grande sorriso e se aproximou.

“Bliss! Você acordou, dormiu bem?”

“Ah, sim. Mas onde é aqui, e por que eu…”

Quando ele perguntou confuso, Penelope respondeu com um largo sorriso.

“O senhor Conde mandou mudar o quarto que o Bliss usa. De agora em diante, este será o quarto do Bliss.”

“Aqui?” Bliss olhou ao redor do quarto mais uma vez, assustado. 

Por mais que olhasse, aquele não era de forma alguma um quarto que um empregado usava. Ao ver móveis tão grandes e luxuosos quanto os do quarto que Cassian usava, ele ficou perplexo. Como esperado, diante da reação de Bliss que não conseguia compreender a situação, Penelope falou gentilmente.

“Que bom que acordou na hora certa. O senhor Conde disse para jantarem juntos, o que acha de ir pessoalmente e perguntar o que quer saber?”

Bliss caiu em um breve dilema. 

Deveria continuar com o protesto ou deveria ceder e ir?

A resposta veio fácil. O fato de terem mudado o seu quarto dessa forma significava que, sem dúvida, uma grande mudança havia acontecido. Sendo assim, o melhor seria verificar a situação atual pessoalmente.

“Sim, eu vou.”

Pensou muito bem!

Penelope deu um suspiro visível de alívio e segurou firmemente as duas mãos de Bliss. Diante de um Bliss assustado, ela continuou a falar como se estivesse esperando por aquele momento.

“As coisas têm sido muito difíceis ultimamente, não é? Por mais triste que esteja, não pule as refeições. O quão difícil deve ter sido para você chegar a desmaiar? Já expulsei todas aquelas pessoas ruins, então isso não vai acontecer de novo. Vou contratar novos empregados com base em critérios muito rigorosos. Se o Bliss quiser, pode até participar das entrevistas comigo.”

“Ah, não. Não precisa chegar a tanto…” Bliss balançou a cabeça apressadamente. “Só o fato de você se preocupar comigo já é o suficiente. Obrigado.”

“Tudo bem, se mudar de ideia, me avise a qualquer momento.” Após insistir mais uma vez, Penelope soltou as mãos dele, deu um passo para trás e abriu a porta de um dos lados da parede. “Todas as malas do Bliss já foram trazidas para cá. Será um jantar formal, então escolha uma roupa bonita para vestir, Bliss.”

Em seguida, ela hesitou por um momento e acrescentou.

“Pode ser que aconteça algo um pouco surpreendente, mas não é nada ruim, então não se preocupe.”

“O quê? O que isso significa?” Bliss perguntou, mas Penelope começou a se afastar de mansinho enquanto respondia.

“Bem, eu tenho muito o que preparar… Não é nada ruim, de verdade. Com certeza.”

“Penelope.”

“Venho te buscar daqui a pouco. Vai levar cerca de duas horas, então tome um banho e se arrume.”

“Penelope!” Bliss a chamou novamente, mas Penelope saiu correndo do quarto apressadamente. 

Olhando fixamente para a porta fechada, ele tardiamente franziu o cenho e resmungou sozinho.

“O que diabos está acontecendo?…”

***

As duas horas passaram voando. 

Cassian, que havia descido mais cedo e estava esperando por Bliss, já tinha esvaziado três taças de vinho e, ainda assim, não conseguia largar a taça da mão. Ao ver aquela cena, Penelope o aconselhou cautelosamente.

“Senhor Conde, não beba demais. Não há nada mais patético do que uma declaração feita por alguém bêbado.”

Diante daquelas palavras, Cassian, que estava prestes a servir a quarta taça de vinho, hesitou. Após hesitar por um momento, ele soltou um suspiro e pousou a garrafa.

“Traga café.”

“Ótima ideia. Vou preparar um bem forte para que o senhor recobre a lucidez num piscar de olhos.”

Ao dar um gole no café que recebeu acompanhado de um leve elogio, ele sentiu sua mente ficar bem mais clara. Penelope, que observava a cena com satisfação, continuou a falar.

“Deu a hora. Vou buscar o Bliss agora.”

Ao ouvir aquelas palavras, Cassian sentiu seu coração dar um salto.

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Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...

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