Deflower Me If You Can

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“Haaah. Haaah. Haaah. Haaah.” Bliss parou diante da porta que ligava os dois cômodos, respirando fundo e soltando o ar profundamente. 

O sol já havia se posto e a escuridão tinha se instalado no mundo há um bom tempo. Mas tudo bem. Cassian com certeza estaria acordado.

Você não consegue nem dormir sem mim.

Ele, que abriu os olhos irritado num instante, logo mudou de ideia e respirou fundo novamente. Na verdade, foi até melhor. Se não estivesse conseguindo dormir todo esse tempo, estaria ainda mais sensível.

Era só pular em cima dele sem pensar duas vezes.

“Fuuuh.” Depois de soltar o ar mais uma vez, ele finalmente tomou sua decisão e segurou a maçaneta da porta. 

Espere por mim, Cassian. Estou indo!

Ele tinha que agir antes que seu coração vacilasse. Bliss abriu a porta abruptamente e correu, atravessando a sala de estar. E então, ele finalmente agarrou com força a porta que se conectava ao quarto de Cassian, abrindo-a e gritando.

“Cassian! Vamos dormir!..”

Seguido pelo grito vigoroso, ele pulou direto na cama. 

Ele havia imaginado Cassian acordando assustado com a visita repentina…

Huh?

Algo estava errado. Ele tinha se preparado para o fato de que doeria bastante se batesse contra o corpo rígido de Cassian, mas a realidade era completamente diferente. Estava macio demais? Atordoado, Bliss levantou a cabeça e seus olhos se arregalaram. 

Não havia ninguém na cama.

“O que é isso?” Confuso, Bliss levantou-se num salto e gritou. 

Ele olhou ao redor rapidamente, mas a figura de Cassian não podia ser vista em lugar nenhum. Será que ele está tomando banho? Ele desceu correndo da cama e, desta vez, avançou em direção ao banheiro. 

Muito bem, vamos começar tomando banho juntos.

“Cassian, eu também vou tomar ba…”

Ele abriu a porta de supetão cheio de certeza, mas acabou parando estático novamente. Bliss, que piscou os olhos algumas vezes olhando para o espaço completamente vazio, balançou a cabeça apressadamente. E checou mais uma vez, mas nada mudou.

“Cassian? Cassian, onde você está escondido?” Diante de uma situação difícil de acreditar, ele começou a vasculhar de um lado para o outro enquanto chamava o nome dele fervorosamente. 

Só depois de abrir a sala de banho, a sauna, olhar dentro da banheira e até no armário onde as toalhas ficavam organizadas, foi que ele aceitou com dificuldade.

O fato de que Cassian não estava em lugar nenhum.

Só havia uma pessoa que saberia a resposta para aquilo. E Bliss, sem hesitar, gritou o nome dela em voz alta.

“Penelopeeeeeeeeeeeee!”

***

“O Conde saiu em uma viagem de negócios.”

No meio da noite, Penelope ficou perplexa com a imagem de Bliss invadindo o quarto da governanta do nada, bufando de tanto respirar com dificuldade. Assim que ela conseguiu dar uma resposta, Bliss soltou um grito ainda mais indignado.

“Viagem de negócios?! Quando?!” Ele acrescentou a pergunta prolongando ao máximo a palavra que não conseguia aceitar. 

Como ele parecia claramente furioso, Penelope respondeu enquanto ajeitava sua touca de dormir sem motivo real.

“Hoje mais cedo, à tarde. Ele disse que levaria cerca de dois ou três dias.”

“Esse maldito me rejeitou e fugiu?”

Fuuu, fuuu. Ele respirava pesadamente de forma agressiva, fazendo Penelope perguntar novamente com um ar de preocupação.

“Bliss, você está bem? O que aconteceu, afinal?”

Sem conseguir entender a situação de jeito nenhum, ela apenas lançou a pergunta, mas Bliss devolveu com outra pergunta em vez de uma resposta.

“Para onde ele foi?”

Penelope hesitou, demonstrando uma expressão sem graça.

“Bem, ele não me disse até onde iria…”

“Ele fugiu, esse desgraçado!”

Penelope, que olhou de relance para os dois punhos dele firmemente cerrados pela fúria, fixou o olhar no rosto de Bliss novamente.

“Bliss, o que houve? Me conte, talvez eu possa ajudar.” Ao ver o rosto enrugado e cheio de preocupação, o coração de Bliss balançou. 

Penelope não tinha culpa de nada. Ela estava apenas fazendo o seu trabalho como uma governanta leal.

O errado era aquele desgraçado.

Fuuu, Bliss deu um longo suspiro profundo e abriu a boca com uma voz bem mais calma.

“Eu tinha um assunto para tratar com aquele…, quer dizer, com o Conde, mas não tem jeito. Quando ele voltar, conversamos. Desculpe pelo horário tardio, Penelope.”

Ao receber o pedido de desculpas educado, Penelope apressou-se em confortá-lo.

“Está tudo bem. Isso acontece. Quer que eu lhe traga um pouco de chá de ervas para que possa dormir bem?” 

Foi uma proposta gentil, mas Bliss balançou a cabeça negativamente.

“Não, obrigado, mas vou recusar. Descanse bem, eu também já vou subir.”

Depois de se despedir mais uma vez, Bliss saiu do quarto silenciosamente, ao contrário de como havia entrado correndo. Penelope ficou olhando para a porta fechada por um tempo e só depois de um momento recuperou os sentidos.

“O rosto do Bliss parecia um pouco corado…”

Ela inclinou a cabeça pensando se ele estaria com febre, mas logo afastou o pensamento. Como ele tinha ficado tão bravo, era natural que o rosto ficasse quente.

Indo em direção à cama, Penelope colocou as duas mãos sobre o peito e, enquanto pegava no sono, pensou no que teria que fazer no dia seguinte. 

Teria que ordenar que fizessem um bolo bem doce para acalmar o coração de Bliss.

***

“Maldito!”

De volta ao seu quarto, Bliss começou a esmurrar o travesseiro com força. Ele não imaginava que ele fugiria desse jeito. Sabia que ele era um canalha, mas não achou que chegaria a ser tão covarde…

“Para onde você foi, afinal, seu desgraçado?” Ele chegou a morder a fronha do travesseiro sem motivo, mas não durou muito. 

Talvez por ter ficado bravo demais, o cansaço veio com tudo. Fuuu, soltando um suspiro curto, ele se jogou na cama.

Apenas tente voltar. Vou pular em cima de você na mesma hora e fazer todo o tipo de coisa…

O pensamento não continuou até o fim. Logo em seguida, Bliss caiu em um sono profundo, roncando baixinho.

***

O escritório do Senador Ashley Miller ficava localizado no último andar de um edifício alto, bem no centro da cidade. Para conseguir se encontrar com ele, normalmente era necessário agendar com uma antecedência de três meses a, no máximo, meio ano. 

Conseguir uma oportunidade de vê-lo em apenas dois dias era quase a sorte de uma vida inteira.

Se não fosse pelo assunto sobre ‘aquele projeto de lei’, eu jamais conseguiria estar neste lugar.

Cassian pensou assim enquanto olhava para Ashley Miller, que estava sentado no assento de honra. Vendo-o depois de tanto tempo, ele parecia um pouco mais velho do que na sua memória. Embora pensasse que isso era natural, ao lembrar da idade real de Ashley Miller, sua aparência era jovem a ponto de nem ele mesmo conseguir acreditar.

Dizem que os Alfas Dominantes têm uma vida longa e que o envelhecimento também é tardio.

Isso também se devia aos feromônios especiais que possuíam, mas, se em troca disso uma parte do cérebro era danificada, não era algo para se ter tanta inveja. Dizia-se que, por conta dessa influência, os Alfas Dominantes podiam cometer até mesmo atos cruéis e imorais — que seriam difíceis para pessoas comuns — sem o menor remorso, mas…

“Faz muito tempo que não nos vemos. Já se passaram 10 anos?” Quando Ashley Miller tomou a iniciativa de falar primeiro, Cassian respondeu educadamente.

“São 11 anos, Sr. Miller. Fico feliz em ver que continua saudável.”

“Você cresceu bastante.” Diante da reação de Ashley Miller, Cassian apenas esboçou um breve sorriso. 

Desde aquela época, ele havia crescido cerca de 10 centímetros a mais. Seria uma sorte que, entre a família Miller de Alfas Dominantes, ele pelo menos não ficasse para trás em estatura? Rindo ironicamente por dentro, ele abriu a boca.

“Agradeço por me receber assim, apesar da visita repentina. Como o senhor deve estar ocupado, pretendo ser breve.”

Na verdade, o tempo concedido a ele era de apenas 30 minutos. 

E isso só foi possível graças ao fato de Ashley Miller ter decidido pular o almoço. Sem querer prolongar o tempo desnecessariamente, Cassian continuou a falar.

“Sei que o senhor ainda não expressou sua opinião sobre aquele acordo. Poderia me revelar qual é o seu posicionamento? É claro que tudo o que for conversado aqui será mantido em absoluto sigilo.”

Diante dessas palavras, Ashley Miller abriu a boca com um canto dos lábios arqueado.

“Se você quer ouvir o que o outro tem a dizer, deve primeiro apresentar a sua própria opinião.”

Naturalmente, ele tinha razão. 

Cassian expôs honestamente o que tinha em mente. Enquanto a conversa prosseguia, Ashley Miller quase não abriu a boca. Após o término da explicação de Cassian, Ashley, que parecia refletir por um momento, soltou uma risadinha e respondeu.

“Interessante. Ouvi com atenção. Obrigado por vir da Inglaterra até aqui só para me fazer rir.”

Era um tom claramente sarcástico. Como já era um resultado previsto, Cassian acrescentou com indiferença.

“Se o senhor Senador romper aquele acordo, farei tudo o que estiver ao meu alcance para impedi-lo. Reunindo toda a vontade do Parlamento.”

Os olhos de Ashley Miller se estreitaram. Uma voz lenta fluiu de sua boca.

“Um Parlamento que se deixa influenciar pelas palavras de um parlamentar novato… isso me dá muita confiança.”

Ao contrário do desdém de Ashley Miller, Cassian respondeu com um sorriso largo no rosto.

“Não se preocupe, eu mesmo lhe mostrarei.”

Ashley Miller olhou para Cassian sem dar nenhuma resposta e se levantou. Era o sinal para que ele se retirasse. Levantando-se em seguida, Cassian despediu-se.

“Obrigado por me receber, Senador.”

Olhando de relance para Cassian, Ashley Miller estendeu a mão. Após um breve aperto de mãos, Cassian abriu a boca como se tivesse acabado de se lembrar de algo.

“Por falar nisso, o Bliss está passando bem?”

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Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...

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