Deflower Me If You Can

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“O chefe da equipe de segurança desapareceu?” Diante daquela voz áspera, a secretária estremeceu e continuou a falar com dificuldade.

“Sim, ele certamente entrou no prédio. Foi confirmado que ele chegou até este corredor, mas…”

Ashley Miller a encarou com um olhar tão severo quanto seu tom de voz. A secretária continuou o relatório, escolhendo as palavras com o maior cuidado possível.

“Ele foi registrado pelas câmeras de segurança recebendo uma ligação, conversando por um breve momento e depois saindo correndo com pressa. Desde então, não conseguimos localizar o seu paradeiro.”

A ruga na testa de Ashley Miller se aprofundou ainda mais. Ele bateu de leve no tampo da mesa, toc, toc, de forma lenta, antes de falar:

“Você verificou com quem ele falou e sobre o que era a ligação?”

Diante do tom de voz baixo, a secretária respondeu imediatamente: “Sim, claro que verifiquei, mas como era um celular pré-pago, não foi possível descobrir a identidade da outra pessoa. Sinto muito.”

O relatório terminava ali. 

Ashley Miller continuava pensativo, de testa franzida. Ele havia chamado o chefe da segurança para descobrir o que tinha acontecido com Bliss, mas o homem não apareceu. Ashley esperou por mais quinze minutos além do horário marcado antes de tentar entrar em contato diretamente.

E agora, um dia inteiro depois, as informações que recebia da secretária eram extremamente decepcionantes.

Para onde diabos ele teria desaparecido?

Que tipo de ligação o chefe da segurança, que já estava na porta do escritório após ser chamado por Ashley, teria recebido para sair correndo daquela maneira? A secretária parecia ter investigado o paradeiro dele por diversos meios, mas não encontrou nenhuma pista plausível. 

Em outras palavras, ele havia desaparecido.

“Que inferno.” Após dispensar a secretária, Ashley, agora sozinho, rangeu os dentes e praguejou. 

Com o desaparecimento do chefe de segurança, agora era impossível ouvir a verdade de qualquer outra pessoa além do próprio Bliss. Deixando a busca pelo chefe de lado por um momento, ele precisava descobrir o que havia acontecido enquanto Bliss estava na Inglaterra. Embora fosse óbvio que isso exigiria uma quantidade imensa de tempo e esforço.

Pensar que teria que fazer um caminho tão longo quando havia uma alternativa muito mais fácil.

Engolindo o xingamento que estava prestes a soltar novamente, ele encarou o calendário sobre a mesa.

…Um mês.

Ao se lembrar das palavras de Koi, ele não teve escolha a não ser se forçar a manter a calma. Sim, um mês passaria num piscar de olhos. Era apenas uma questão de dar tempo para Bliss colocar a cabeça no lugar. 

E depois que ele consolasse Bliss e descobrisse o que havia acontecido…

Pelo que soube, Bliss ainda chorava com frequência ou passava o tempo completamente aéreo. Ele sem dúvida havia sofrido um trauma imenso. 

Eu com certeza vou descobrir quem foi o desgraçado que fez uma canalhice dessas com ele. E quando eu descobrir…

O olhar de Ashley tornou-se gélido.

Vou fazer com que ele se arrependa de estar vivo.

***

“Hwaaa!” Bliss acordou sobressaltado com um grito. 

Olhando ao redor às pressas, ele finalmente percebeu que estava em seu próprio quarto e que estava apenas tirando um cochilo, deixando escapar um suspiro de alívio.

O que tinha sido aquilo? Ele sentia um pavor imenso.

Dando um longo suspiro e respirando fundo, Bliss permaneceu sentado na cama por um tempo antes de se levantar e sair do quarto. Só depois de beber um copo inteiro de água fria é que ele finalmente conseguiu recobrar totalmente a lucidez, mas logo uma sensação de vazio o invadiu.

…Está silencioso demais.

Ao se lembrar da agitação da mansão do conde, a casa onde agora estava sozinho parecia extraordinariamente solitária. Ele já havia morado ali sozinho antes e, naquela época, todos os dias pareciam ser divertidos. 

Mas por que agora tudo parecia tão vazio? 

Não importava o que fizesse, sentia um vazio e uma apatia sem fim. Mesmo quando tentava assistir aos dramas de que tanto gostava, não conseguia esboçar nenhum interesse.

“Antes eu ficava bem sozinho.”

Sentindo o nariz arder, ele fungou e respirou fundo. 

…Mas agora não mais.

“Bliss, olha só isso. Bliss!”

Penelope.

“Ora essa, como assim você pisou na grama toda?! Saia já daí!”

Sam.

…E todas as outras pessoas que ele não conhecia direito.

De qualquer forma, lembrar daquela movimentada mansão do conde fazia seu coração doer. Mas, acima de tudo, o rosto de que ele mais sentia falta era apenas um.

“Bliss.” 

Ao se lembrar de Cassian sorrindo para ele, as lágrimas voltaram a inundar seus olhos.

“Eu te amo, Bliss.”

“Eu também, eu também te amo.” Ele tentou dizer isso em voz alta, mas de nada adiantava. 

Afinal, ele havia fugido por conta própria depois de fazer Cassian passar por uma mutação. Além disso, mesmo já tendo se passado várias semanas, ele não havia recebido nenhuma notícia de Cassian.

Ele saberia facilmente que eu estou aqui…

A resposta era óbvia. Ele devia estar furioso. Com certeza não queria ver a minha cara de jeito nenhum.

…E eu aqui, sentindo tanta falta dele.

“Buá, buáaa.” Ele tentou segurar, mas acabou caindo no choro novamente. 

Bliss chorava copiosamente até que, de repente, começou a cochilar.

Que estranho, estou com tanto sono ultimamente…

Soluçando, ele caminhou em direção ao quarto. Ele já costumava dormir bastante antes, mas ultimamente parecia pior. Ele cochilava até enquanto comia e, era comum cair no sono profundo no instante em que baixava a guarda por um segundo.

Talvez seja de tanta tristeza.

Ele pensou enquanto se enfiava debaixo dos lençóis. Talvez estivesse tão triste que meu cérebro preferia simplesmente apagar e dormir.

Sim, deve ser isso.

Ele fechou os olhos e tentou dormir novamente. Uma excelente decisão, minhas pequenas e fofas células cerebrais. Se eu dormir, dormir e dormir mais um pouco, a tristeza vai acabar diminuindo.

…E se não diminuir?

Deixando um rastro de preocupação no ar, Bliss adormeceu profundamente mais uma vez. 

E, enquanto o chefe da equipe de segurança abria os olhos para um novo mundo no “quarto do prazer” de Stacy e ficava completamente imerso nele, um mês se passou.

***

“Mmm-hmm, mmm-hmm.” Bliss cantarolava com a boca cheia de cachorro-quente. 

Que delícia, está gostoso demais! 

Vendo Bliss sorrir de orelha a orelha com molho sujo ao redor da boca, o dono da barraca, que estava grelhando as salsichas, perguntou sorrindo: “Está gostoso?”

“Sim! Muito. Está incrivelmente gostoso!” Respondendo todo animado, ele enfiou o pedaço que restava de uma vez na boca. 

Nhac, nhac, nhac. 

Engolindo tudo em apenas três mastigadas, Bliss apontou firmemente para outro cachorro-quente.

“Um cachorro-quente de chili, por favor!”

“Mais um?!” O dono arregalou os olhos e perguntou sem conseguir se conter. 

Diante do olhar perplexo do homem, Bliss pegou um lenço para limpar a boca e respondeu:

“Sim, é que eu ainda não experimentei esse.”

Mas ele já tinha comido um de queijo, um de cogumelos com bacon e outro de peru — já era o terceiro que finalizava. 

Como um garoto tão magro conseguia comer tanto? 

Achando aquilo fascinante, o dono lhe entregou o cachorro-quente pedido.

“Por acaso você é um competidor de comida?” Essa parecia ser a única explicação plausível.

Pegando o cachorro-quente com cuidado para não deixar o molho pingar, Bliss respondeu.

“Não, é que ultimamente, por algum motivo estranho, estou sentindo uma fome constante.”

Assim que terminou de responder, ele deu uma mordida enorme no cachorro-quente. Ao vê-lo devorar a comida com o mesmo entusiasmo e velocidade do primeiro, o dono acabou soltando uma risada, achando a situação inacreditável.

***

Depois de comer quatro cachorros-quentes, Bliss deixou o local e começou a caminhar sem rumo pelas ruas. Apesar de ter comido uma quantidade que deixou até o vendedor chocado, bastou dar as costas para sentir o estômago vazio de novo.

Será que as minhas células cerebrais agora decidiram enterrar a tristeza na minha barriga?

Acariciando o estômago sem pensar, ele começou a refletir. Depois de passar tanto tempo alternando entre dormir e acordar, o sono parecia finalmente estar diminuindo, mas agora seu apetite havia explodido.

Bem, de qualquer forma, ficar apenas dormindo o tempo todo também não faria bem para o corpo.

Ao pensar que suas pequenas e fofas células cerebrais estavam trabalhando duro para ajudá-lo a esquecer a tristeza, Bliss sentiu uma pontada de gratidão e carinho por si mesmo. Enquanto acariciava a própria cabeça, ele de repente olhou para o lado e parou. Seus olhos focaram em uma rede de restaurantes tradicional, com quase cem anos de história. 

Era exatamente o local que seu Papai e seu Pai costumavam frequentar desde a época de escola.

“Bem-vindo. Quantas pessoas seriam?”

Bliss respondeu com um sorriso simpático levantando apenas um dedo para o funcionário. Assim que ele foi conduzido à sua mesa, um grupo de guarda-costas vestidos de terno preto entrou em silêncio logo em seguida. Eles se sentaram em um ponto não muito distante dali e continuaram a vigiá-lo, exatamente como vinham fazendo até então. 

Sem se importar nem um pouco com a presença deles, Bliss apontou firmemente para o cardápio e anunciou com toda a confiança: 

“Por favor, me traga tudo isto aqui… sim, daqui até aqui!”

O funcionário, pego de surpresa por um instante, exibiu um sorriso sem graça e confuso.

“Por acaso mais alguém vai se juntar ao senhor?”

“Não, eu vou comer sozinho. Tudo!”

Diante da resposta sem hesitação de Bliss, o funcionário não conseguiu disfarçar a expressão de perplexidade ao confirmar os itens do pedido. Ele balançou a cabeça e se dirigiu à cozinha, enquanto Bliss aproveitava para olhar ao redor.

Diziam que a decoração interna continuava exatamente a mesma de antigamente.

Imaginar que seu Pai e seu Papai costumavam ter encontros românticos ali no Bluebell o fez soltar uma risadinha involuntária.

“Hihihi.”

Ele começou a brincar distraidamente com um guardanapo para passar o tempo, quando o funcionário mudou o canal da televisão que ficava bem no centro do salão. Bliss olhou de relance, sem pensar muito, mas acabou soltando um grito de susto, arregalando os olhos.

Na tela da TV, logo abaixo da imagem da pessoa focada, uma legenda branca brilhava em destaque sobre um fundo vermelho:

O Conde Heringer, membro da Câmara dos Lordes britânica, chega ao país para um discurso no Parlamento.

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Bliss, como de costume, assistia a um drama de vingança clichê preso no tédio do cotidiano, quando ao entrar casualmente em um canal de notícias, no instante em...

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